Política

Audiência pública vai discutir questão do biodiesel em Cuiabá

Na Audiência Pública a ser realizada na Assembléia Legislativa para discutir a questão do Biodiesel – em data ainda a ser referendada, o deputado Sebastião Rezende (sem partido), vai colocar para o governo e a sociedade a idéia de intensificar a utilização dos assentamentos instituídos em nosso estado como centros de produção de matéria prima para a fabricação do combustível. “Temos uma mão-de-obra assentada em nosso estado e poderão surgir outros pólos de produção com a utilização da agricultura familiar”, afirma o parlamentar.

Para ele, a idéia de unir proteção ambiental e inclusão social com geração de emprego e renda poderá ser uma saída viável para Mato Grosso que cresce no campo e tem tecnologias cada vez mais avançadas, e, na contramão, tende a diminuir a oferta de empregos para os cidadãos com menor qualificação. “O Biodiesel é um Projeto que conseguiu associar a fronteira de ponta do desenvolvimento – a energia renovável – e uma força secularmente esquecida na história brasileira, a agricultura familiar e pode ser a redenção para o emprego das famílias em nosso estado”, acredita.

A intenção é que municípios mato-grossenses que têm dificuldades em sua auto-sustentabilidade possam ter no Biodiesel uma alternativa para a geração de emprego e renda, manutenção do homem no campo com o uso dos Projetos de Assentamento, tanto os da competência do INCRA-MT, como do Intermat.

Segundo Rezende, a idéia já está sendo executada com sucesso em Minas Gerais onde a Soyminas produzirá biodiesel a partir de girassol e nabo forrageiro e terá a capacidade instalada para a produção de 12 milhões de litros do novo combustível por ano. Para isso, utilizará a mão-de-obra de duzentas famílias na produção da matéria-prima do biodiesel, com previsão de que na próxima safra serão duas mil famílias e, em três anos, oito mil pequenos agricultores estarão integrados ao Projeto.

No entendimento do parlamentar, “Mato Grosso por ser um dos maiores produtores regionais de grãos – matéria-prima para o biodiesel – e por conseqüência grande consumidor de combustível, precisa sair à frente nesta discussão de grande relevância não apenas para o Estado, mas para a nação brasileira, onde no futuro, o biodiesel possa se transformar num combustível definitivo para o Brasil”.

Em Mato Grosso o Projeto Biodiesel, faz parte de um Convênio de Cooperação Técnica entre a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e ELETRONORTE – Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A, inserido no Programa “Luz para Todos” do Governo Federal, que propõe levar energia elétrica à todas as Comunidades brasileiras até 2008. Projeto-piloto está sendo desenvolvido na Região do Guariba, no Noroeste do Estado.

O Biodiesel é um bicombustível menos poluente, gerado através da união de etano e óleos vegetais como soja, dendê, mamona, babaçu, castanhas, girassol, arroz e outros. Ele pode ser utilizado com vantagens como substituto do diesel, pois é renovável, faz funcionar geradores de energia, motores, tratores, máquinas agrícolas e outras situações que trazem bem-estar às pessoas, sem agredir o meio ambiente.

Legislação Federal, recentemente aprovada, estabelece que pode ser usado um percentual de biodiesel numa mistura com óleo diesel de 2% até 2007 e 5% em 2013. Quanto mais biodiesel for produzido menos será preciso importar petróleo para retirar óleo diesel. O Governo Federal estima que o País economizará US$ 425 milhões neste ano com a instalação da Usina de Biodiesel Soyminas e outras 24 refinarias do gênero no Nordeste e no Centro-Oeste brasileiro.

Preocupado em fechar um grupo de apoiadores da idéia, o parlamentar já articula a participação na Audiência Pública de representantes dos setores envolvidos. Já foram convidados: Gustavo Reis Lobo de Vasconcelos – Coordenador Geral da Eletronorte; Evandro Luiz Dall’ Oglio – Professor de Química da UFMT e Coordenador Geral do Projeto em Mato Grosso; Wlamir Antonio de Jesus -Coordenador da Eletronorte, além de representantes das Secretárias de Estado de Ciência e Tecnologia e de Agricultura, do INTERMAT, INCRA, Deputados Federais, movimentos de assentados, Imprensa e população em geral.