O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou ontem que o Brasil poderá enfrentar uma “crise econômica gigantesca” após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Abilio também disse em entrevista acreditar que Flávio será alvo de perseguição política.
“Por mais que o Lula tenha ganho a eleição com 1% de votos de diferença, o Brasil vai entrar numa crise econômica gigantesca”, declarou. Abilio argumentou que o governo federal já precisaria movimentar recursos do orçamento para cumprir promessas de campanha. “E com o aumento da dívida nessa parte e com a dificuldade de pagar os prestadores de serviços, fornecedores e os repasses, a gente vai ver o Brasil passar por uma situação econômica muito grande”, afirmou.
Abilio comparou a derrota de Flávio à disputa pela prefeitura de Cuiabá em 2020. Na ocasião, ele venceu o primeiro turno, mas acabou derrotado por Emanuel Pinheiro no segundo. O prefeito acusou o grupo político do então adversário de disseminar notícias falsas, utilizar a estrutura pública e mobilizar servidores municipais durante a campanha. Também relembrou as denúncias de corrupção envolvendo a gestão de Emanuel. Ele relacionou a vitória de Emanuel às dificuldades financeiras enfrentadas posteriormente pela prefeitura, incluindo dívidas com fornecedores e atrasos em pagamentos a servidores. Na avaliação do prefeito, o cenário poderia se repetir no âmbito nacional.
O prefeito também declarou acreditar que o senador Flávio Bolsonaro sofrerá perseguição política durante o novo mandato de Lula. Segundo ele, a direita deverá se reorganizar para tentar retomar a Presidência da República nas próximas eleições. “O Flávio vai sofrer uma perseguição política, que é normal que o tipo de governo que o Lula representa faça, mas acredito que nós da direita vamos superar tudo isso e, daqui a quatro anos, a gente vai ter o momento certo de retomar”, declarou.
Abilio ainda defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que ele continua sendo o maior líder político do país. Para o prefeito, o desempenho de Flávio na eleição demonstra a força política do pai, mesmo fora da disputa. “Se o Bolsonaro estivesse solto, ele não perderia essa eleição. Hoje, o maior líder político do Brasil é Bolsonaro”, afirmou.
Durante a entrevista, o prefeito também comentou a possibilidade de contestação do resultado das urnas. Ele comparou a eleição a uma partida de futebol e afirmou que, encerrada a disputa, não haveria como mudar o resultado. “Depois que o jogo acaba, acabou os 90 minutos, acabou a prorrogação, acabou tudo, o jogo acabou. O time adversário ganhou com gol de mão”, declarou.
Questionado diretamente se acreditava que houve fraude eleitoral, Abilio respondeu que não tinha uma convicção sobre o assunto e afirmou que acusações desse tipo não alterariam o resultado. “Eu não acredito em nada. Eu acredito que se até falar hoje se houve fraude, até se duvidar do que alguma coisa tenha acontecido, vai ser rotulado de ato antidemocrático”, disse.
Apesar das críticas ao resultado, o prefeito defendeu que a disputa seja encerrada e afirmou que pretende concentrar esforços na administração municipal. “Então, vida que segue, vamos trabalhar, vamos cuidar de Cuiabá, vamos cuidar do estado de Mato Grosso. Aqui é outro país, Mato Grosso é outro país, é outra realidade. Aqui a esquerda não se cria, aqui é outro momento”, concluiu.
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