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Casal alvo de operação preso no aeroporto de Sinop viajaria a Bariloche: “com dinheiro das vítimas”, diz delegado

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Só Notícias/Kelvin Ramirez (fotos: reprodução)

O delegado Ugo Mendonça detalhou a Operação Carta Contemplada 2, deflagrada ontem para desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes contra mais de 50 vítimas em Sinop. Segundo ele, os investigados atraíam pessoas com a promessa de crédito fácil para compra de imóveis e veículos, cobrando entradas que chegavam a R$ 40 mil. A operação terminou com sete presos, entre eles um casal que foi localizado na área de embarque do Aeroporto de Sinop enquanto se preparava para viajar para Bariloche, na Argentina.

Conforme Ugo, os suspeitos mantinham uma forte atuação nas redes sociais para atrair pessoas interessadas em conseguir crédito para realizar o sonho da casa própria. “Uma situação muito delicada, onde as vítimas são ludibriadas. A organização criminosa tem uma rede social muito ativa, onde ela anuncia crédito fácil para a compra da casa, que é o sonho de várias famílias”.

O delegado explicou que as vítimas eram convencidas a entregar valores elevados como entrada, sob a promessa de receber créditos muito superiores em poucos meses. “Então, a pessoa tem lá uma economia de 20, 30, 40 mil reais e, infelizmente, é ludibriada com a promessa de que, se der um valor vultoso de entrada, consegue um crédito de 200, 300, 400 mil reais em 3 a 6 meses”.

Segundo Ugo, algumas vítimas chegaram a entregar entre R$ 10 mil e R$ 30 mil e eram submetidas a uma abordagem que fazia com que acreditassem na legalidade do negócio. “Elas iam ao local, recebiam essas promessas; era feito tipo uma lavagem cerebral nas vítimas, que algumas não sabiam nem ler nem escrever”.

Quando o prazo prometido para liberação do crédito terminava, as vítimas percebiam que haviam sido enganadas. Ainda segundo o delegado, os investigados deixavam os locais onde funcionavam e alugavam novos espaços para continuar aplicando os golpes. “Quando passava esse tempo, a vítima percebia que tinha caído num golpe e tentava procurar a empresa. A empresa passava, eles alugavam outro espaço para começar novos golpes”.

A organização chegou a abrir uma segunda unidade em Sorriso após a atividade em Sinop apresentar resultados financeiros. “Essa empresa abriu um escritório aqui em Sinop, que estava tão lucrativo que eles abriram outro em Sorriso. Então, era uma organização complexa”.

O principal casal investigado foi preso no aeroporto de Sinop. De acordo com Ugo, os dois estavam prestes a embarcar para a Argentina. “Inclusive, o principal casal estava embarcando no avião. A gente prendeu eles no aeroporto, eles estavam embarcando para a Argentina, gastando o dinheiro das vítimas”.

O delegado explicou ainda que a organização utilizava uma estratégia para tentar dar aparência de legalidade às transações. Segundo ele, os investigados ficavam com a maior parte do dinheiro recebido e utilizavam apenas uma parcela para abrir um consórcio. “A organização embolsava 90% desse valor e abria um consórcio, pagava só a primeira parcela para tentar dar uma visibilidade aparente de licitude”.

Ugo Mendonça orientou a não entregarem grandes quantias de dinheiro sem antes verificar a empresa e buscar orientação especializada. “E o que a gente queria alertar é para que as vítimas não façam contratos com valores vultosos, onde eles vão disponibilizar um valor, às vezes, de uma vida inteira que eles juntaram, sem a assessoria de um advogado”.

Ele também recomendou que os consumidores procurem instituições reconhecidas antes de realizar esse tipo de negócio. “Procurem um advogado, procurem instituições sérias, os bancos que são responsáveis por isso, para que não caiam nesse tipo de golpe, de acreditar que vão ter um crédito de 300 mil, dando 30 mil de entrada em pouco tempo”.

O delegado Sérgio Ribeiro, que esteve no aeroporto com investigadores e prendeu o casal, destacou que mais de 12 pessoas foram ouvidas durante a investigação e afirmou que o suposto contrato de intermediação apresentado pela empresa era utilizado como instrumento para dar aparência legal às negociações. “O contrato que essas pessoas faziam era um suposto contrato de intermediação. Esse contrato era um instrumento da fraude. Era para dar aparência de licitude”.

A operação resultou ainda na apreensão de três veículos, bloqueio de seis contas bancárias e sequestro de R$ 320 mil, além de outras 11 medidas cautelares.

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Delegados Sérgio Ribeiro e Ugo Mendonça
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