A Polícia Civil deflagrou, hoje, a Operação Insídia, para desarticular um esquema de corrupção envolvendo servidores públicos investigados por facilitar a entrada clandestina de aparelhos celulares e outros itens para integrantes de uma facção criminosa dentro do sistema prisional. São cumpridas oito ordens judiciais em Cuiabá, sendo dois mandados de prisão preventiva, dois de busca e apreensão, dois bloqueios de valores (R$ 14,6 mil para a professora e R$ 25,5 mil para o policial penal) e duas medidas de suspensão cautelar do exercício das funções públicas.
As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, têm como alvos um policial penal efetivo e uma professora contratada da secretaria de Estado de Educação, que atuava em salas anexas de uma escola estadual no Centro de Ressocialização de Várzea Grande.
Os servidores são investigados pela prática dos crimes de corrupção passiva continuada, facilitação e intermediação da entrada de aparelhos telefônicos em estabelecimento prisional e associação criminosa. A atuação dos servidores estaria relacionada à logística de integrantes de uma facção criminosa. O cumprimento das ordens judiciais é acompanhado pela Corregedoria da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).
As investigações iniciaram em junho do ano passado, após análise de materiais apreendidos que identificaram transferências via Pix destinadas à professora investigada, realizadas por reeducandos ou por familiares e visitantes cadastrados. As informações coincidiram com uma denúncia que apontava a atuação da professora e do policial penal na introdução clandestina de aparelhos celulares e outros itens ilícitos na unidade prisional, mediante o recebimento de vantagens financeiras indevidas.
As investigações também apontaram movimentações consideradas incompatíveis com a atividade funcional dos investigados. O policial penal cobrava valores entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por cada celular levado para integrantes da facção criminosa. Segundo a polícia, durante a sua atuação, ele chegou a utilizar a conta de sua companheira para receber os valores, como forma de dificultar a rastreabilidade das movimentações financeiras.
Conforme apontado, a professora se valia do trânsito autorizado no interior da unidade prisional para viabilizar a entrada clandestina de celulares e outros itens em favor da facção, enquanto o policial penal utilizava sua condição funcional para o mesmo objetivo. O acesso privilegiado ao ambiente prisional proporcionado pelos cargos ocupados pelos investigados foi o elemento essencial para a prática do crime.
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