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Polícia investiga advogados e “influentes- protetores” da Máfia do Bicho

Pelo menos seis advogados e quatro pessoas de alto poder aquisitivo do mundo político podem estar envolvidas na “máfia” do jogo do bicho com atuação em Cuiabá, Várzea Grande e com conexão no Rio de Janeiro. Os nomes estão sendo mantidos em sigilo para não atrapalhar as investigações. A Polícia, no entanto, promete trazer à tona os resultados das investigações.
     
O esquema, segundo as investigações da Polícia, seria chefiado por Giovani Zem Rodrigues, genro do empresário João Arcanjo Ribeiro, o “Comendador”, preso atualmente no Uruguaio sob acusação de comandar o crime organizado em Mato Grosso.
     
Os nomes dos “poderosos” envolvidos, inclusive ex-auxiliares de Arcanjo, surgiram durante uma operação da Polícia no mês passado, quando foram estouradas várias bancas do jogo do bicho na região dos bairros Cristo Rei, Manga, Construmat e Parque do Lago, em Várzea Grande, quando seis pessoas foram presas.
     
A Polícia sabe, além dos nomes que mantém em sigilo, que as apostas eram feitas em Várzea Grande e alguns distritos da Baixada Cuiabana. Vinham para Cuiabá, onde funciona uma central do jogo e uma central telefônica clandestina. O esultado de cada sorteio vinha do Rio de Janeiro.
     
“Não dá para citar nomes sem a comprovação absoluta. Estamos investigando todos os nomes que estão surgindo e um dos casos que pode envolver sim, nomes de peso que dão proteção e cobertura na contravenção do jogo do bicho, uma prática que continua viva, embora muito combatida. Podemos afirmar sim, que outras bancas podem ser estouradas a qualquer momento”, afirma Edson Leite.
     
Investigadores da Delegacia Municipal de Várzea Grande (Grande Cuiabá), estouraram na tarde de ontem, algumas bancas de jogo de bicho com a marca Colibri e com as letras iniciais do nome JAR referente ao empresário João Arcanjo Ribeiro, preso atualmente no Uruguaio, acusado de chefiar o crime organizado em Mato Grosso.
     
Entre os presos está um garoto de apenas 11 anos, usado pelo próprio pai, Valmir Arlacon, de 42 anos para fazer jogos e para tentar enganar as investigações da Polícia.
Sete pessoas foram presas, todas obedeciam as ordens de Valmir. São elas: Manoel Francisco Pereira (50), João Gonzaga dos Santos (42), Cezina Queiroz dos Santos (53), Luciana de Oliveira (45), Rosalina Vera Lúcia (36) e Welinadja Martins Reinaldo (34).
     
Durante as operações chefiadas pelo investigador Edson Leite e pelo delegado Luiz Fernando da Costa, titular da Municipal. As prisões aconteceram na área central de Várzea Grande e nos bairros Mpim e Jardim Glória, na mesma região.
     
Além das sete prisões os investigadores de Várzea Grande ainda apreenderam mais de 60 talões usados para o preenchimento dos jogos do bicho, vários aparelhos de telefone celular e algumas motos usadas pelos cambistas para fazer e receber as apostas, além de pagar os prêmios.
     
Segundo o investigador Edson Leite, chefe de operações da Delegacia Municipal, a Polícia já vinha monitorando e fazendo investigações da quadrilha a quase um mês. Um dos cambistas, segundo ainda Leite, usava o filho de 11 anos para fazer e receber as apostas. “Tudo para tentar desviar as nossas investigações, mas nós já estávamos monitorando todos os passos deles”, afirmou Edson Leite.
     
As sete prisões, segundo o chefe de operações da Delegacia Municipal de Várzea Grande, aconteceu menos de dois meses que a Polícia prendeu outras pessoas na mesma região, apreendeu talões de jogos e estourou, pelo menos seis bancas clandestinas de jogo do bicho com a marca da Colibri e as iniciais do nome de João Arcanjo Ribeiro.
     
“O jogo do bicho com a marca Colibri e com o nome João Arcanjo Ribeiro não acabou como muita gente pensa, principalmente em Várzea Grande, mas nós vamos continuar combatendo”, afirmou Edson Leite. Os sete presos assinaram um TC (Termo Circunstanciado) e vão responder processo no Juizado Especial.