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Polícia indicia mais de 110 integrantes de facção e sequestra cerca de R$ 8 milhões em bens em MT

A Polícia Judiciária Civil indiciou 113 pessoas envolvidas com a facção criminosa investigada na operação “Red Money”, realizada em agosto deste ano, sob a coordenação da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Diretoria de Inteligência. O inquérito policial foi concluído e encaminhado à justiça, esta tarde.

Para conclusão da investigação foram produzidos diversos relatórios, perícias e documentos juntados aos autos do inquérito que tem 30 volumes com cerca de 6 mil páginas, entre os autos principais e apensos. Junto ao inquérito segue também ao Fórum de Cuiabá produtos apreendidos, como as joias.

Segundo a assessoria da Polícia Civil, os criminosos investigados na operação eram responsáveis pela arrecadação financeira e movimentação de valores de uma facção criminosa. A movimentação financeira da organização criminosa, no período de um ano e meio, chegou a cerca de R$ 52 milhões, entre entradas e saídas nas contas bancárias verificadas.

A primeira fase da operação foi deflagrada no dia 8 de agosto deste ano e a segunda fase, complementar a investigação, foi executada no dia 1º. Durante a investigação foram expedidos 110 mandados de prisão preventiva, sequestro de 23 imóveis, incluindo uma fazenda no município de Salto do Céu, apreensão de cerca de R$ 60 mil, em joias, bloqueio e sequestro de valores em contas bancárias, além de apreensão de dinheiro em espécie, atingindo a aproximadamente R$ 730 mil.

Do patrimônio sequestrado e apreendido, estão à disposição da justiça 21 automóveis, 18 motocicletas, 5 caminhões e 1 semi-reboque, além de 6 empresas interditadas que tiveram sua atividade econômica suspensa perante os órgãos competentes.

“Devido à individualização das condutas e o papel desempenhado pelos membros da organização criminosa, com uma divisão clara de tarefas, optou-se por realizar uma divisão de indiciados por núcleos, inclusive, facilitando o manuseio dos autos e a gestão do futuro processo criminal”, disse o delegado Luiz Henrique de Oliveira, Coordenador de Inteligência da Polícia Civil.

Pela arrecadação financeira, a Polícia Civil indiciou 24 pessoas, que eram responsáveis pelo dinheiro da facção criminosa, com gerenciamento do cadastramento e cobrança de mensalidade de traficantes, cobrança de mensalidade junto aos faccionados (taxa de camisa) e extorsão em estabelecimentos comerciais, a título de taxa de segurança.

Pertencentes ao núcleo de movimentação financeira foram indiciados 25 integrantes. A operação Red Money, demonstrou que dezenas de contas bancárias foram utilizadas para movimentação do dinheiro ilícito arrecadado pela facção criminosa. Geralmente, as contas eram pertencentes a familiares e pessoas próximas aos líderes do esquema, todos já condenados e presos na Penitenciária Central do Estado.

Além disso, empresas foram abertas para realização de lavagem de dinheiro, dissimulando a origem dos valores recebidos através da atividade comercial.

Somente em contas bancárias de mulheres, parentes e empresa vinculadas a essas lideranças, foram constatadas entradas superiores a R$ 10 milhões, que possibilitava aos líderes da facção possibilitar padrão de vida as suas mulheres, bem superior ao da maioria dos colaboradores financeiramente, que pagam mensalidades.

Nos dois núcleos está a maior parte dos indiciados, totalizando 64, os quais também desempenhavam papel financeiro, realizando movimentações e transações bancárias em favor da facção criminosa.

Conforme explicou o delegado Diogo Santana de Souza, titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado, “boa parte desses correntistas agiam mediante determinações de pessoas que já estavam presas. Ao longo da investigação foi possível identificar vários criminosos que estavam por trás desses crimes”.

Dezenas de contas bancárias funcionavam como “contas de captação”, com transferência de dinheiro para contas mais fortes, em um típico sistema de pirâmide.

Redação Só Notícias (foto: assessoria/arquivo)