A Polícia Civil deflagrou, hoje, a Operação Backchannel, destinada a apurar o vazamento de informações sobre diligências policiais realizadas em um condomínio residencial de Cuiabá, durante os trabalhos investigativos que apuravam ações de uma organização criminosa. São cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, que, segundo a polícia, têm o objetivo de identificar e individualizar a conduta de quem acessou, registrou, transmitiu ou utilizou as informações sigilosas.
A investigação, desencadeada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), iniciou após a constatação de que, menos de 24 horas depois de uma diligência sigilosa, pessoas ligadas aos investigados, ao ter conhecimento da presença da equipe policial no local, teriam informado aos alvos sobre a ação policial. Uma imagem de um policial civil, obtida a partir do sistema interno de videomonitoramento do condomínio, teria sido compartilhada em grupos de WhatsApp.
Segundo as apurações, a informação teria sido repassada por funcionários e intermediários até chegar a familiares de pessoas investigadas em razão de possível vínculo com organização criminosa. A investigação apurou ainda que, dias depois, durante a deflagração de outra operação policial, diversos alvos não foram localizados. “A circunstância reforçou ainda mais a suspeita de que informações sobre a atuação da polícia teriam sido antecipadamente transmitidas, comprometendo o cumprimento das medidas judiciais”, detalhou a assessoria da Polícia Civil.
O nome Backchannel, que significa “canal paralelo”, faz referência à rede informal, oculta e clandestina de comunicação que teria sido utilizada para alertar investigados sobre diligências policiais.
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