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Polícia apura esquema que usou fazenda de R$ 84 milhões para tentar obter crédito em Mato Grosso

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Redação Só Notícias (foto: assessoria/arquivo)

A Polícia Civil deflagrou, hoje, a Operação Canadá, para cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, oriundos de uma investigação que apura fraudes no sistema de regulamentação de cadastro ambiental rural de uma fazenda em Confresa (1057 km de Cuiabá). As investigações da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) apuram a suspeita de fraudes praticadas no Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural (Simcar). Segundo a polícia, não há indícios de envolvimento de servidores da secretaria de Estado do Meio Ambiente, que configura como vítima, assim como os proprietários da fazenda.

Os alvos da operação incluem profissionais credenciados no sistema de cadastro ambiental, entre eles engenheiros florestais e técnicos em agrimensura, responsáveis por empresas de topografia e engenharia, e pessoas apontadas como procuradoras em atos cartorários suspeitos, distribuídos entre Cuiabá, Rondonópolis, Ribeirão Cascalheira e na cidade de Tailândia (PA).

A Dema iniciou as diligências após os legítimos proprietários da fazenda constatarem que a forma geométrica inicial da propriedade do cadastro ambiental rural (CAR) do imóvel havia sido indevidamente deslocada, por meio eletrônico, para outra região do estado, com alteração das senhas e dos e-mails de acesso ao sistema. Conforme apurado, o grupo criminoso inseriu dados fraudulentos no sistema mato-grossense de cadastro ambiental rural, criando novos cadastros ambientais em nome dos proprietários sem qualquer autorização e produzindo documentos cartorários ideologicamente falsos, entre procurações públicas, substabelecimentos de poderes e escrituras de compra e venda, com o objetivo de forjar a transferência da titularidade de parte da fazenda.

Um dos cadastros fraudulentos serviu de base para uma avaliação rural no valor de R$ 84 milhões, documento apresentado como garantia em tentativas de obtenção de crédito junto a instituições financeiras. A Dema identificou, também, indícios de corrupção praticada contra a fé pública cartorária, com o pagamento de propina a um escrevente para viabilizar o reconhecimento fraudulento de assinaturas em documento falso de arrendamento da propriedade.

Todo o material apreendido será submetido a exames periciais e à análise do Núcleo de Inteligência da Delegacia Especializada do Meio Ambiente, visando a conclusão do inquérito policial e possível indiciamento dos envolvidos.

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