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Polícia aponta renda incompatível, ‘vida de luxo’ e viagens internacionais de alvos de operação em Alta Floresta

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Redação Só Notícias (fotos: assessoria)

A Polícia Civil informou que chamou atenção durante as investigações a vida de luxo, exibida nas redes sociais pela filha da líder de uma organização criminosa, principal alvo da Operação Sundown, deflagrada na última quinta-feira para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra um núcleo familiar com atuação em Alta Floresta. As investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado, Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá e Delegacia de Alta Floresta, demonstraram que, mesmo foragida, a mãe, líder da facção, continua atuando no crime, por meio de ações de seus familiares.

“A sua filha teria papel importante na movimentação financeira ligada ao grupo criminoso, lavando o dinheiro com empresas de fachada e supostos ganhos com jogos de azar on-line”, detalhou a polícia. Durante a operação, foram cumpridas em Alta Floresta e Nova Bandeirantes medidas de sequestro de veículos, móveis, bloqueios de contas bancárias e suspensões de pessoa jurídica.

Se apresentando como influenciadora digital e empresária, jovem de 19 anos e o seu marido mostravam no perfil do Instagram uma rotina de luxo, considerada incompatível com a renda declarada, ostentando carros de alto valor, viagens internacionais e empreendimentos comerciais, em uma demonstração de alto poder aquisitivo. Com mais de 40 mil seguidores na rede social Instagram, a jovem compartilhava em seu perfil  fotos e vídeos exibindo um padrão de vida elevado. Entre as publicações, o casal aparecia em  fotos de  viagens internacionais e registros de momentos em destinos considerados exclusivos, como Suíça, Dubai, Ilhas Maldivas e Caribe, destinos turísticos conhecidos pelo alto custo.

Além das viagens, o casal também exibia veículos de grande valor. Entre eles estão uma Toyota Hilux, uma GM S10 e uma Dodge Ram 3500 Laramie 2024, avaliada em mais de R$ 415 mil. Somados, os veículos ultrapassam meio milhão de reais em patrimônio. A ostentação do casal chamava atenção, uma vez que  nenhum dos dois possui ocupação profissional que justificasse o padrão de vida, evidenciando a ligação aos crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, segundo os investigadores.

As investigações apontaram ainda mudança rápida no padrão de vida do casal. Publicações antigas nas redes sociais mostram uma realidade considerada mais simples. Em 2023, por exemplo, o genro da líder da organização comemorava a compra de uma motocicleta de baixo valor. Pouco tempo depois, passou a aparecer nas redes sociais dirigindo caminhonetes de luxo.

Apresentando-se como empresária e influenciadora digital, a jovem investigada possui ao menos duas empresas registradas em Alta Floresta: uma loja de calçados e um estúdio de beleza, que seriam utilizadas na lavagem do dinheiro do tráfico, de acordo com a polícia, que informou ainda que as investigações apontaram que os estabelecimentos apresentam movimentação considerada muito baixa de clientes, reforçando as suspeitas de que os negócios eram utilizados para dar aparência legal a recursos de origem ilícita.

Um dos pontos identificados pela investigação é o uso de plataformas digitais de apostas, popularmente conhecidas como jogos de “slots”, incluindo o chamado “tigrinho”, para a prática de lavagem de dinheiro da facção. Nas redes sociais, a jovem se apresenta como “jogadora de slots” e influenciadora de plataformas de apostas, divulgando jogos e supostos ganhos. No entanto, as investigações apontaram que esse tipo de plataforma era utilizado para inserir valores de origem criminosa e posteriormente apresentar o dinheiro como se fosse resultado de ganhos em jogos online.

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