Polícia

Nortão: grampos apontam bicheiros tratando de propina

O GAECO – Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado- do Ministério Público gravou conversar telefônicas de aliados de João Aarcanjo Ribeiro, que estavam articulando a reestruturação do jogo do bicho em Mato Grosso. Os diálogos são entre o genro de Arcanjo, Geovane Rodrigues e Rene Robert Lima e Agnaldo Gomes de Azevedo, que também tiveram prisões decretada, e constam no despacho da juíza Virginia Viana Arrais, que decretou as prisões também dos delegados municipais de polícia, Richard Damasceno lage (Sinop) e Heloisa Miranda (Claudia). Eles são acusados de receberam suborno para combaterem concorrentes do grupo de Arcanjo.

Só Notícias teve acesso, no site do TJ, ao conteúdo das conversas gravadas pelo MP, em julho, onde os aliados de Arcanjo falam em pagamento de propina para os delegados, que são acusados de repreenderem concorrentes de Arcanjo no esquema de apostas em Claudia (90 km de Sinop).

No dia 23, Rene conversa com Geovane e faz referência à delegada de polícia Helena Yloise de Miranda Lourenço:

“A mulher me ligou passando pra dois, depois me mandou umas mensagens dizendo mil e quinhentos…Agora tem que fazer, pois ela cedeu. Eu falei pra ela o seguinte pra ela ontem lá, se nós acertar eu quero que a senhora faça a apreensão de tudo e um serial eu vou levar embora, aí ela falou você tem a relação dos pontos, eu falei que alguns eu tenho. Então tem que fazer um levantamento melhor pra fechar um caprichado. Então pode passar que a gente quer”

Ainda no despacho da juíza consta que, conforme “cruzamento de chamadas telefônicas e mensagens SMS entre Geovane, Renner e Helena” antes da data de 23 de junho, Renner havia enviado mensagem à Geovane informando que a delegada havia pedido muito alto (R$3 mil). Geovane respondeu: – Muito alto, e agora?
Renner disse: Eu vou persistir nos mil ou você quer que vá atrás do homem pessoalmente ou resolva por Sinop?
Renner disse para Geovane que a “mulher” havia ligado e baixado para R$1,5 mil.

Ainda em diálogos gravados entre Renner e Geovane no dia 22:
Você viu a tanto que o pessoal pediu. Eu falei não pelo amor de Deus assim eu não agüento doutora. Aí o que, que eu falei pra ela eu não consegui falar com o pessoal que eu pego autorização, então eu dependo da autorização deles então vou tentar falar com ele de hoje pra amanhã e depois ligo no celular da senhora, aí eu tava pensando em dar uma amarrada até amanhã e mandar uma mensagem pra ela só daqueles mil, se não deixa quieto e eu mexo lá por Sinop. Ela vai ligar atrás aquela ali é louca por dinheiro.

Em 25 de junho, Geovane conversa com Agnaldo:
Já acertamos com a mulher não foi cem por cento, mas foi melhor que. Tá bom.

No dia 27/06 Agnaldo em conversa com Mariano faz referência mais uma vez a pagamento para delegado de polícia. Mariano pergunta: –
Hein, entrou o dinheiro do delegado, lá…?
Agnaldo – Não, porque ele falou pra mim vê se entrou os nove mil lá, que é pra nós já deixar tudo atualizado, pra nós ir controlando mais fácil, ver com o homem lá pra poder correr atrás também, tem que ver certinho…

Já em 28 de junho Geovane conversa com Renner:
O negócio lá foi feito já tá tudo certo. Acertou com ela?
Não, falta repassar o trem dela, lá eu não paguei ainda. Paga, paga hoje, agora.
Não, tá beleza

Em outra gravação, Agnaldo conversa com outro homem e este diz, referindo-se aos delegados Helena e Richard:
“Falei com Richard sábado à tarde e ele falou então deixa quieto vou mandar o pessoal lá, mas em vez de mandar ele mesmo. Fui lá e conversei direito com Richard e ele já não gosta dela, eles não se bicam e ele é protegido da doutora Fátima

No despacho da juíza consta que “o pedido de busca e apreensão foi efetuado em 26 de junho e a decisão deferindo o pedido de busca e apreensão foi entregue em mãos da delegada Helena em 09 de julho”.
Até a data da conversa telefônica do dia 17 a delegada ainda não havia cumprido o mandado de busca e apreensão, supostamente porque havia recebido da concorrência quantia maior em dinheiro para não efetuar a busca e apreensão determinada.