Polícia

Mais de 70 presos no Nortão na operação ‘terra à vista’ por fraudes ambientais; 17 são liberados em Sinop

A Polícia Civil confirmou, há pouco, ao Só Notícias, que dos 128 mandados de prisões expedidos pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Ana Cristina Mendes, 72 foram foram cumpridos hoje, no primeiro dia da operação Terra À Vista. Deste total, permanecem presas 4 pessoas, sendo 3 delas em Sinop e uma em Cuiabá.  Em Sinop, investigadores fizeram maior número de prisões na operação – 27 – além de 8 mandados de apreensões em residências, escritórios e empresas para combater fraudes ambientais. Uma fonte de Só Notícias informou que 24 investigados prestaram esclarecimentos e foram soltos após audiências de custódia em Sinop e demais comarcas.

Além disso, todos os 12 mandados de buscas e apreensão da operação foram concluídos.

A investigação tramita em sigilo de justiça e por isso a polícia não divulgou nomes dos que estão sendo presos.

Donos de áreas rurais, engenheiros florestais e ex-servidores da secretaria estadual de Meio Ambiente são investigados. Em Marcelândia os policiais cumpriram 9 ordens de prisões, em Alta Floresta 3, em Guarantã do Norte mais 3, assim como em Várzea Grande. Em Cuiabá foram duas. Em Sorriso é um mandado e não foi confirmado se o  investigado foi preso.

As investigações contaram com apoio da Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), nos procedimentos de análise e auditoria, além do auxílio no trabalho com a vistoria de mais de 70 mil m³ relacionados a empreendimentos alvos do inquérito.

Conforme Só Notícias já informou, os mandados também foram cumpridos em Nova Monte Verde, Apiacás, Paranaíta, Nova Bandeirantes, Peixoto de Azevedo, Itaúba, Matupá, Marcelândia, Claúdia, Santa Carmem, Ipiranga do Norte, Feliz Natal, Sorriso, Juara, Aripuanã, Porto dos Gaúchos, Castanheira, Arenápolis.

A Delegacia de Meio Ambiente (DEMA) vem fazendo investigações desde 2014, com auditoria da própria Sema, que descobriu um esquema de fraude no sistema na criação de créditos florestais, beneficiando diversas empresas do ramo madeireiro e terceiros (com inserção de dados falsos no sistema). As fraudes ultrapassam R$ 150 milhões.

Muitos créditos circularam para outras empresas gerando guias florestais inidôneas, as quais podem ter sido usadas para acobertar operações ilegais, promovendo, em tese, tanto a circulação de produto florestal de origem ilícita, quanto à lavagem dos valores correspondentes a essas mercadorias ilegais (madeiras extraídas ilegalmente, lavagem de dinheiro), explica a Polícia Civil.

Policiais das diretorias de Atividades Policiais, do Interior, Metropolitana, e da diretoria de Inteligência estão trabalhando nos 24 municípios.

A base da operação é em Cuiabá. O diretor da Polícia Civil, Douglas Turibio, acompanha em Sinop, o andamento da operação.

(Atualizada 20:43h)

Só Notícias/Cleber Romero com Editoria e Herbert de Souza (foto: Só Notícias)