A detenta Angélica Saraiva, conhecida como “Angeliquinha”, ficará inicialmente por seis meses em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, em Cuiabá. A medida prevê isolamento das demais presas, restrições no período de visitas e de banho de sol, além de vigilância reforçada. O prazo poderá ser prorrogado, conforme explicou hoje em entrevista o delegado Victor Hugo, titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Angeliquinha foi recambiada para Mato Grosso, ontem, após ser presa em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Segundo o delegado, a aplicação do regime diferenciado foi solicitada pela Polícia Civil à 5ª Vara Criminal de Sinop e autorizada pelo Poder Judiciário. “É um isolamento. Ela tem direitos de prisioneira cerceados dentro do que determina a legislação penal. Então, ela tem um período menor de visitas, fica isolada, sem contato com outras presas, e os períodos em que pode sair da cela são menores”, explicou Victor Hugo.
O delegado acrescentou que a detenta terá vigilância reforçada por parte dos policiais penais. A adoção do regime, segundo ele, considera a periculosidade atribuída à presa, as condenações que somam mais de 260 anos e as investigações relacionadas à atuação dela em uma organização criminosa.
Angélica é apontada pela Polícia Civil como uma das principais lideranças de uma facção criminosa com atuação no extremo norte de Mato Grosso, sobretudo na região de Alta Floresta. Conforme o delegado, ela tem condenações por crimes como organização criminosa, homicídios e lavagem de dinheiro, além de ser investigada em outros procedimentos. “Ela é mandante de diversos homicídios, uma criminosa contumaz e cruel, pelo que a gente vê nos relatos e sentenças em relação aos homicídios”, afirmou Victor Hugo.
O retorno de Angeliquinha a Mato Grosso envolveu uma operação integrada entre equipes da Draco, da Gerência de Capturas da Polícia Civil, autoridades bolivianas, Polícia Federal e secretaria de Estado de Justiça. Após a prisão na Bolívia, ela foi transferida para Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e entregue à Polícia Federal, seguindo os procedimentos de cooperação entre os dois países. Posteriormente, ficou sob custódia na unidade prisional feminina da cidade até o transporte para Cuiabá.
De acordo com o delegado, os procedimentos exigiram planejamento e medidas de segurança devido à periculosidade atribuída à detenta e à possibilidade de atuação de integrantes da facção criminosa. Por esse motivo, detalhes sobre datas e etapas do deslocamento não foram divulgados previamente.
Angeliquinha havia fugido da Penitenciária Ana Maria do Couto em 17 de agosto do ano passado. Victor Hugo afirmou que a fuga teve relação com uma obra realizada na unidade prisional e que a investigação sobre as circunstâncias da evasão e a possível participação de outras pessoas continua sob sigilo. “Ela não agiu sozinha. Então, a gente vai manter o sigilo, mas em breve vão ter novidades importantes, sobretudo depois da prisão”, declarou.
Segundo Victor Hugo, a investigação também busca esclarecer as atividades de Angeliquinha durante o período em que permaneceu na Bolívia. Conforme o delegado, ela vivia em uma residência de alto padrão em Santa Cruz de la Sierra, e a Polícia Civil apura se a permanência na cidade tinha relação com negociações de drogas, movimentações financeiras e outras atividades da organização criminosa.
A Polícia Civil também investiga a suspeita de que Angélica tenha recorrido a procedimentos estéticos para modificar a aparência e dificultar sua identificação. O delegado afirmou que percebeu mudanças significativas na fisionomia dela, mas a investigação ainda deverá aprofundar os elementos relacionados ao período em que esteve foragida.
Victor Hugo acrescentou que as apurações sobre o patrimônio atribuído à organização criminosa incluem imóveis, veículos e valores em contas bancárias, com medidas voltadas à descapitalização do grupo. Segundo ele, os investigadores também buscam esclarecer a participação de outros integrantes.
A Polícia Civil pretende dar continuidade aos procedimentos investigativos e ouvir a condenada. O delegado afirmou que novas apurações podem resultar em outras responsabilizações e no aumento das condenações já registradas contra ela.
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