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Delegada detalha prisão de irmão que matou jovem em MT: “não tem condição nenhuma de viver em sociedade”

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Só Notícias/Kelvin Ramirez (fotos: reprodução)

A delegada Jéssica Assis, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), detalhou sobre a prisão de Marcos Pereira Soares, de 23 anos, suspeito de matar a própria irmã, de 17 anos, em Cuiabá. O corpo da jovem foi localizado ontem no Córrego Vassoura e apresentava sinais de violência. Segundo a delegada, a vítima foi encontrada sem roupas, enrolada em um lençol e com indícios de violência sexual, mas a confirmação depende da conclusão das perícias técnicas. “O corpo está sendo periciado. Estamos em contato com a Politec, mas a necropsia ainda não foi concluída. Ela estava envolta em um lençol e estava nua. Estava com o corpo desnudo, com os pés amarrados e com alguns sinais de violência sexual, mas a gente vai aguardar a confirmação da perícia. As roupas dela, que supostamente ela estava utilizando antes de ser encontrada sem vida, também foram apreendidas para a futura perícia em tentar encontrar material genético do suspeito”.

Segundo a investigação, as roupas da vítima foram encontradas na residência onde o suspeito morava. “E essas vestes estavam na residência em que ele morava, mas estava se mudando dali, porque ele já estava ali, pelo que a gente apurou, atento à questão de que ele seria recapturado em relação a essa soltura dele. Então, a gente autuou ele aqui pelos crimes de feminicídio, estupro, ocultação de cadáver e sequestro. E vamos ver se mais crimes vão ser descortinados aí a partir da necrópsia. Provavelmente alguma tortura, porque o corpo dela tinha alguns sinais de queimadura, de algumas outras lesões. Tudo isso está em processo de apuração”.

Durante o interrogatório, Marcos negou envolvimento no crime, mas, segundo a delegada, não conseguiu apresentar um álibi consistente. “Ele negou todos os fatos, mas não conseguiu fornecer nenhum álibi consistente. A priori, o que a gente tem é que ele efetivamente atuou sozinho. Essa é a nossa principal linha de investigação. Foi um feminicídio praticado de maneira solo por ele, de maneira, pelo que a gente conseguiu perceber, premeditada.”.

As investigações apontam que a jovem saiu de casa após ser chamada pelo próprio irmão, que teria utilizado um pretexto para convencê-la. “Compareceu até lá com um subterfúgio, falando que precisava que ela o acompanhasse para resolver uma questão com relação à mãe. O esposo da vítima foi ouvido, confirmou essa versão dos fatos. Então, ela saiu de lá voluntariamente, afinal de contas, os dois eram irmãos. E de lá ele já teria levado essa vítima para essa residência do Três Barras, que estava vazia, porque a mulher dele já não estava mais residindo lá. Ela estava com a mudança da família em um outro bairro um pouco mais afastado.”

O suspeito afirmou à polícia que apenas conversou rapidamente com a irmã e depois seguiu caminho sozinho. “Ele disse que não teria feito isso, que ele teria ido procurar a irmã apenas para conversar, que no momento em que ele saiu da casa com ela, eles teriam saído até a esquina, teriam conversado rapidamente e ele teria seguido o próprio rumo e que depois não sabe o que teria acontecido com ela. Foi a versão dos fatos que ele deu, mas ele não forneceu nenhum álibi. Há inconsistências e incongruências bem grandes em tudo que ele falou.”

Diante dos indícios reunidos até o momento, a polícia autuou o suspeito em flagrante e solicitou a prisão temporária para aprofundar as investigações. “A gente homologou o flagrante e representamos pela conversão, pela decretação da prisão temporária, até para que haja tempo hábil para que sejam realizadas todas as perícias técnicas, as diligências necessárias, oitivas de demais familiares, a fim de esclarecer toda a dinâmica dos fatos. A motivação realmente é a despreza ao feminino. Foi um feminicídio no sentido clássico do termo mesmo.”

Sobre as roupas encontradas, Marcos também negou qualquer relação. “Ele negou, ele falou que não reconheceu aquelas vestes, que não sabe o que aconteceu, que não foi ele, que pode ter sido uma armação pra ele.”

A delegada também revelou que a polícia investiga outra possível ocorrência envolvendo o suspeito. Uma empresária procurou a polícia relatando que ele teria tentado entrar em seu estúdio no dia anterior ao crime. “Nós estamos apurando essa questão, essa questão chegou ao nosso conhecimento, recebemos as filmagens do estabelecimento dessa vítima e tudo leva a crer que o comportamento dele é muito denotativo de um criminoso sexual em série. A gente conseguiu, a partir dessa linha de raciocínio, nós vamos intimar essa vítima para que ela seja ouvida, para que a gente verifique se houve uma situação de, no mínimo, uma perseguição, se houve efetivamente uma tentativa de cometimento de crime contra a dignidade sexual dela.”

A delegada ressaltou ainda a gravidade do comportamento do suspeito. “Mas o contexto todo é muito denotativo de uma pessoa que é imparável, que precisa ser detida, ela precisa ser cerceada, que não tem condição nenhuma de viver em sociedade, que realmente é um perigo para mulheres, para meninas e para crianças também.”

O delegado Caio Albuquerque falou sobre condenações anteriores de Marcos Pereira e a soltura dele recente. “Ele respondia a uma condenação definitiva por homicídio contra a vítima, Severino. Ele recebeu uma pena de 19 anos de prisão em regime inicial fechado. Por óbvio, ele já tinha pago algum tempo preso, mas ainda tinha algum tempo a pagar também preso. Ele também, paralelamente, enquanto esse período de segregação, teve uma acusação de lesão corporal contra a sua convivente. Isso rendeu também uma prisão para ele e depois uma condenação com a pena menor. Como é uma pena menor, saiu alvará de soltura.  Essa questão do porquê ele foi liberado, segundo as informações que tivemos preliminares da cogidoria da Polícia Penal, nas checagens, quando fizeram a checagem para o cumprimento desse alvará de soltura,não se verificou uma eventual pendência a impedir aquela soltura. A corregedoria nos informou que todas as providências estão sendo tomadas para verificar de forma bem contundente e profunda o que aconteceu mesmo, qual foi o motivo dessa inconsistência. Mas foi feita uma checagem e, inicialmente, não se verificou um motivo impeditivo. Mas eles nos afirmaram que todas as providências, procedimentos, foram instaurados para que tenha sido a resposta e uma conclusão do que fato aconteceu”.

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