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Conselho de Enfermagem confirma ‘derrame’ de diplomas falsos em Mato Grosso

Enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem com diplomas e históricos escolares falsos tentaram fazer registro junto ao Conselho Regional de Enfermagem do Estado de Mato Grosso. A irregularidade foi detectada pelo setor de Inscrição e Cadastro que é responsável pela fiscalização do cumprimento da lei do exercício profissional, bem como, por zelar pelo bom conceito do seu exercício. O presidente Conselho, Vicente Guimarães, se disse perplexo e informou que está buscando através da difusão do problema despertar outras organizações no sentido de que estas estejam mais atentas ao concederem o registro de suas respectivas categorias.

Vicente Guimarães alerta que a mesma situação pode estar ocorrendo em outras áreas profissionais. Já foram confirmados diplomas falsos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e está sendo levantado um caso na Universidade de Cuiabá, que já foi protocolado e aguarda confirmação da procedência. “Pode estar havendo em Mato Grosso, a exemplo do que ocorre em outras partes do país” – ele salientou

O presidente do Conselho de Enfermagem lembra que existe uma quadrilha falsificando diplomas e históricos escolares, não só em nível universitário, mas também do ensino fundamental e médio. Dos casos já registrados pelo Conselho, há computados, neste sentido, cinco irregularidades de enfermeiros; quatro de técnicos de enfermagem e três de auxiliares de enfermagem. Ou seja, no primeiro caso o diploma é de nível superior, nos demais não.

O problema se estende também à área de ensino profissionalizante, pois para fazer o curso técnico de Enfermagem, por exemplo, o profissional deve ter segundo grau. Há comprovação que tem alunos que fizeram o curso no Senac apresentando o diploma desta habilitação e histórico escolar falsos. O fato já foi comunicado para a entidade que irá cancelar a certificação dos formados na área, uma vez que não podiam ingressar na escola de formação profissional sem o diploma do ensino médio.

“É muito difícil detectar diplomas falsos de outros estados, pois das faculdades e universidades da região são mais fáceis, devido ao número de diplomas legais já registrados, os profissionais que lidam com o cadastro e inscrição, já conhecem a sua formatação. Muitas vezes a falsificação é feita de forma muito grosseira” – diz Guimarães. Recentemente foi detectado um diploma falso da Universidade Federal do Pará.

Toda documentação fornecida pelo profissional para registro é encaminhada, do Coren, à sua entidade superior, o Conselho Federal de Enfermagem (Confen). Uma oportunidade também para detectar a fraude de diplomas e históricos escolar de outras praças. “Há casos em todo o país que mostram o quanto as instituições são frágeis ao lidar com falsificação’, frisa Guimarães. Se fossem padronizados os diplomas e históricos escolares e treinados pessoal das instituições para detectarem com mais facilidade este tipo de fraude, poderiam diminuir as ações criminosas. Em São Paulo, por exemplo, um deputado estadual, vice-presidente de Comissão de Educação da Assembléia, usou diploma falso do ensino médio para fazer um curso superior, quando descoberto, teve seu diploma universitário cassado.

Diplomas e demais documentos escolares falsificados ferem a lei. Todos os falsos profissionais de Enfermagem, enquadrados nestas irregularidades estão sendo denunciados pelo Coren pois o órgão já registrou queixa crime junto a Polícia Federal e abriu inquérito policial. Os envolvidos estão praticando a falsidade ideológica, fraude e estimulando que criminosos ajam, prejudicando diversas áreas do conhecimento, comprometendo até mesmo a saúde da população, pois podem colocar no mercado profissionais que cuidam de vidas humanas, sem a devida habilitação, o que é pior, colocando estas vidas humanas em risco.

“Diferente do que ocorre em outras profissões onde seus erros podem ser reparados antes de que vidas sejam ceifadas, na área de Enfermagem é a vida que está em nossas mãos, e a vida não tem conserto. É importante lembrar aos falsificadores que poderão ser vítima da sua própria criação” – finaliza Vicente Guimarães.