domingo, 25/fevereiro/2024
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Violência e mídia

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Muita gente imagina que uma das causas da crescente violência ao redor do mundo e também no Brasil é a divulgação "exagerada", cinematográfica e teatral como a mídia faz em todas as formas de vilência, desde acidentes de trânsito, os suicídios, aos homicídios, abusos contra diferentes segmentos populacionais.
Principalmente quando ocorrem massacres e outros crimes hediondos ou brutais, dizem os críticos da mídia, parece que os profissionais da imprensa têm prazer de repisar inúmeras vezes as mesmas cenas e o fazem com certa dose de incitamento da opinião pública.

Há poucos dias ocorreu mais um massacre nos EUA quando um jovem com mente doentia, com certeza, depois de planejar seus atos de horror adentrou um cinema e acabou dizimando a vida de doze pessoas e ferindo mais 59, todas vítimas inocentes que estavam ali apenas para assistirem ao lançamento de um filme. De forma apressada, boa parte da mídia tentava demonstrar que a culpa de tudo isto era porque naquele país as pessoas podem adquirir legalmente armas de fogo.

Todavia, em outros países, como no Brasil adquirir, portar ou ter em casa armas de fogo é probido ou severamente controlado e nem por isto nosso país deixa de ser o quarto mais violento do mundo quando se trata de número e taxa de homicídio por 100 mil pessoas do grupo considerado,pessoas com até 19 anos enquanto os EUA ocupam a 15a posição, com taxa de 3,4.

Parece que existe alguma agenda oculta para maximizar a violência ocorrida além fronteiras e minimizar a nossa realidade que também é extrremamente cruel e desumana. Talvez outra diferença entre violência em alguns países e o Brasil seja a legislação bastante branda por aqui e severa por lá e também nas punições também brandas em nosso país e como os criminosos são tratados por exemplo nos EUA, na China, nos países árabes e outros asiáticos. E finalmente, nos índices de resolução dos diversos crimes e atos violentos nesses países e na morosidade e privilégios que os deliquentes gozam em nosso país.

Apenas para que possamos refletir um pouco mais sobre esta dramática realidade,basta analisarmos os dados constantes do Mapa da Violência 2012 – crianças e adolescents do Brasil, de autoria do sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, atualmente coordenador da Área Estudos sobre a violência da FLACSO Brasil. Editado por CEBELA – Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos há poucos meses.

O estudo cobre o period de 1980 a 2010 e em 84 páginas contém um precioso acervo para quem deseja realmente refletir mais profundamente sobre esta triste realidade que de forma tão negativa marca nosso país. Ai estão dados sobrre diferentes formas de violência como acidentes de trânsito, suicídios, homicídios, características sócio-econômicas e demográficas das vítimas, detalhamento por estados, capitais e também comparações com taxas de outros países. É um rico acervo para o uso de estudiosos e autoridades públicas.

Para se ter uma idéia da escalada da violência no Brasil basta atentarmos para o fato de que entre 1980 e 2010 foram assassinadas 176.044 pessoas com menos de 19 anos, isto equivale a 880 boings com pelo menos 200 passageiros em cada ou 4.400 onibus lotados com jovens e adolescentes.

A taxa de homicício por 100 mil jovens com até 19 anos era de 3,1 em 1980 e em 2010 atingiu 13,8, um crescimento de 345,2%. O total de jovens na mesma faixa etária queperderam suas vidas em acientes de trânsito no mesmo período foi de 169.512, totalizando apenas nessas duas categorias de mortes violêntas 345.556 pessoas.
Não existe nenhuma Guerra no mesmo periodo em nenhum país que tenha conseguido produzir tantas vítimas e ceifado a vida de centenas de milhares de jovens que perderam suas esperanças e ao mesmo tempo destroçaram a vida de suas famílias.

Todavia, esses números parecem que não chocam nossas autoridades em nenhum dos poderes constituídos, pois se assim ocorresse esta carnificina estaria sendo reduzida e não aumentando ano após anos.
Parece que também boa parte de nossa mídia, principalmente a chamada grande mídia que vive e sobrevive de suas relações com o poder e suas benesses foge de um debate mais profundo tanto em termos das causas, mas o mais importante, o que deve ser feito a curtissimo prazo para estancar esta onda de violência que a todos choca e aterroriza. Voltarei ao tema oportunamente.

Juacy da Silva,professor universitário, mestre em sociologia, colaborador do Site Só Notícias.
www.professorjuacy.zi.net
[email protected]

 

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