quarta-feira, 28/fevereiro/2024
PUBLICIDADE

Violência contra a mulher: ainda precisamos avançar

Sonia Mazetto é Gestora de Potencial Humano, Terapeuta Integrativa, Fonoaudióloga e Palestrante.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Andamos a passos lentos em ações efetivas na defesa da mulher, mas estamos andando. A evolução é mais notada quando se vivencia a história. Há algumas décadas, ouso dizer que até umas duas décadas atrás, a violência contra a mulher era pouco discutida, entendida e divulgada.

Os crimes praticados contra as mulheres eram tratados como qualquer outro crime que acontecesse e passavam sem nenhuma problematização pela sociedade. Só viravam notícias, e casos de investigação mesmo, quando esses crimes envolviam óbitos ou hospitalização (e olhe lá). A mulher deveria obedecer ao marido, servir e satisfazer, caso contrário, merecia ser punida.

Vivenciando essa sociedade que vem se transformando nas últimas duas décadas, e observando o tanto de casos tristes que conheci, podemos dizer que foi preciso chegar ao fundo do poço, com milhares de mulheres sofrendo violências nas suas próprias casas, para que o mundo entendesse que SIM, nós mulheres sofremos violências só pelo fato de sermos mulheres.

A ideia patriarcal ainda predomina na sociedade brasileira e os números podem mostrar. Recentemente foi divulgada a 10ª edição da pesquisa Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), que mostrou que 30% das mulheres do país já sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por um homem. Isso levando em consideração as mulheres que denunciam!

Ainda conheço muitas mulheres e homens que sustentam um conceito preconceituoso e nocivo de que a mulher deve ser submissa, mas acredito que o mais perigoso são os “vieses inconsistentes”. Esses preconceitos e estereótipos “invisíveis” que moldam nossas ações quase que automaticamente, induzindo a decisões tendenciosas e comportamentos prejudiciais.

Quer exemplos? Mesmo sendo mulher, acreditar que é o nosso dever cuidar da casa, ou que não podemos usar determinadas roupas, ou que o homem que deve sustentar financeiramente a casa e administrar o dinheiro, ou minimizar os casos de assédio dizendo que são mimimi, ou menosprezar outras mulheres que não seguem esse “padrão imposto”, enfim, são tantas situações.

De fato, a Lei Maria da Penha foi um marco para as mulheres, principalmente por trazer uma nova visão sobre o crime, saindo apenas da violência física e abrangendo outros tipos de violências, como a psicológica (ações que prejudiquem a autoestima, que cause danos emocionais e outros), moral (condutas como calúnia, difamação ou injúria), sexual (coagir, obrigar uma mulher a ter relações sexuais e outros) e patrimonial (retenção de bens, documentos e outros).

Ainda conquistamos outros avanços, como a definição de um termo específico para tratar os casos de mulheres que são mortas dentro de casa ou por pessoas da convivência da vítima, especialmente o companheiro. Desde março de 2015, a legislação brasileira passou a considerar o feminicídio como uma circunstância qualificadora do crime de homicídio. O termo ajuda a entender o quão relevante são esses crimes de ódio cometidos contra as mulheres.

Vejamos que o Brasil é um dos países que mais evoluiu em políticas públicas de proteção às mulheres, mas por que ainda assistimos diariamente mulheres sendo mortas? A resposta está na falta de punição efetiva. Acredito que esses criminosos deveriam sentir as consequências, serem prejudicados mesmo, como com a perda do cargo se for servidor público e a demissão no setor privado. Inclusive, isso deveria ser lei.

A própria lei ainda precisa ser mais dura. Casos de feminicídio, em que a pena chega a 30 anos, não levam em consideração o homem que matou mais de uma mulher, essa pena deve ser por vítima, se em uma única situação foram dois feminicídios, deve ser a pena de 60 anos e não apenas 30. Esse criminoso não pode viver em sociedade. Aliás, são tantos abrandamentos e “jeitinhos” que são dados aos presos, que em 1/3 da pena eles são liberados, e voltam a praticar novos crimes. Quanto vale a vida de uma mulher?

É preciso repensar a punição e a fazer valer. Perder o cargo é apenas uma das milhares de atitudes que devem ser tomadas contra uma pessoa que comete crimes contra as mulheres. A sociedade civil tem que se unir e repensar o que precisa ser feito, porque, infelizmente, os números mostram que ainda seguimos perdendo uma mulher a cada seis horas no país (Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública – 2022).

COMPARTILHAR

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mais notícias

A grande expectativa coletiva

É muito fácil presentear quem não precisa de amparo...

Não é apenas água que falta em Várzea Grande!

Se você mora em Várzea Grande ou tem um...

Somos idealizadores de objetivos

Ao comprometermos com algo infinitamente superior as nossas forças,...

Aqui não cabe potoca

Antigamente, lá na roça os homens, em sentido lato,...