Opinião

Sonhos não envelhecem…

Sonhos não envelhecem…

Recentemente ganhei um presente espetacular ao extremo de um amigo. Foi o livro: “Sonhos não envelhecem”. Não se trata de um livro qualquer. Ele retrata o início da criação do “Clube da Esquina”, criado e vivenciado por um grupo de artistas mineiros mundialmente conhecidos: Lô Borges, Márcio Borges, Milton Nascimento, Marilton Borges, Beto Guedes, Wagner Tiso, Toninho Horta e Tavinho Moura, com pouca participação. Movimento cultural este registrado no início da década de 60.

A história inicia como uma história qualquer, de um grupo qualquer, que não sabia, ou não tinha noção do talento que tinha. O clube não sabia, de fato, que ficaria para sempre na historia. O grupo criador do Clube da Esquina é a cara de Minas Gerais. Saindo um pouco do contexto, mas com vinculo integral a ele, essa história tem tudo que ver com o incógnito destino. Ninguém sabe, até então, o valor que tem, mas o destino reserva para cada um o momento certo de ser, na hora que bem lhe convier. Esta é a hora certa.

Milton Nascimento desde cedo foi muito tímido. Não era a cor da pele que o fazia assim. Simplesmente era e ainda é o seu jeito de ser. O destino não muda o caráter de quem quer que seja. Ele pode sim, moldar alguns conceitos, amadurecer algumas ideias, mas escolher o que se julga viável, não. O sucesso destes artistas tem suas referências sublimadas pelo sentimento amoroso a Minas Gerias. “Por que vocês não sabem, do lixo ocidental? Mas agora solto a voz… sou do mundo sou Minas Gerais…”. Milton Nascimento é simplesmente a revelação de um estigma cultural carismático que o dom e o talento abraçaram.

Revolucionar o mundo cultural parece ser fácil. Mas não é. A música existe um encaixe social que interpõe sobre laços difíceis de serem desatados. Um deles é a tentativa de quebrar paradigmas políticos, embora não se fala mais em censura. Já outros, não menos difíceis, estão na própria sociedade, cujos costumes abrangem rótulos que a própria natureza explica.

A música nos dias de hoje está difundida. Ela não exige grau de conhecimento critico capaz de exigir reflexão por parte da maioria da sociedade. Por outro lado, nota-se também que, nem por isso, a cultura no Brasil deixa de ser criativa e abrangente. Na verdade torna-se oportuno dizer que o Brasil é formado por muitos Brasis de norte a sul. Cada Estado tem sua história, seus costumes e suas tradições. Os estilos musicais são típicos de cada Estado. Voltemos para o assunto, voltemos par o livro sobre Minas Gerais.

Tudo indica que vou voltar a sonhar com as tradições mineiras. Além da originalidade musical, boas lembranças como as serestas, a cachaças e o torresmo, são características elementares do jeito mineiro de ser.

Ler o livro “Sonhos não envelhecem”, é voltar ás origens das Minas Gerias, respirar ares de sua natureza caipira, é formar ideologias singularizadas pela simplicidade que bem a representa.

Gilson Nunes é jornalista – [email protected]