quinta-feira, 29/fevereiro/2024
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Rota de Comércio Mato Grosso

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Embora Cuiabá em Mato Grosso seja o centro geodésico da América do Sul, seguramente Santa Cruz de la Sierra é o mais importante centro geográfico, político e econômico do centro oeste sul-americano. Com seus mais de 1.200.000 habitantes é ponto de conexão norte-sul e leste-oeste na Bolívia, situada no coração da América do Sul. Nela sempre se realiza importantes eventos nacionais e internacionais. É detentora de uma excelente rede de hotéis e restaurantes, com oito hotéis cinco estrelas, ligada às grandes cidades no mundo por via área e somente para Miami com 6 vôos diários. Santa Cruz de la Sierra é para a Bolívia o que São Paulo é para o Brasil, guardadas as devidas proporções.
Dista 1.100 Km de Cuiabá, vía Cáceres, San Matías, San Ignacio de Velasco, Concepcion, San Javier e San Ramón. Destes, 450 km da fronteira com o Brasil em San Matias até Concepcion é uma estrada cascalhada, sem asfalto, mas sempre em boas condições de trafego. Outros 1.000 km até a costa do pacífico, no norte do Chile ou no sul do Peru, estão totalmente asfaltados. Entretanto, apesar da falta de asfalto e da falta de segurança, por esta estrada passam anualmente do Brasil para a Bolívia, em média, mais de U$100,00 milhões em produtos manufaturados, máquinas e equipamentos. Durante a construção dos gasodutos Bolívia-Brasil, e Bolívia-Mato Grosso este valor chegou a mais de U$170,00 milhões, em média, por ano.

Como alternativa de acesso ao norte da Argentina, em Salta, ao norte do Chile em Arica e Iquique e ao sul do Peru em Tacna e Arequipa, bem como aos portos da costa do Pacífico, a conclusão destes 450 km de asfalto, em território boliviano, se reveste de fundamental importância, para Mato Grosso, sem a qual ele perderia a oportunidade de competir com grandes vantagens, em relação a todos os outros Estados brasileiros, como sétimo maior Estado exportador do País.

As obras de infra-estrutura de asfalto que estão sendo realizadas, ligando Santa Cruz de La Sierra a Corumbá, 600 km e da fronteira do Acre até o sul do Peru, 1.200 km, não viabilizarão as exportações de Mato Grosso em direção às regiões da costa do Pacífico, antes referidas. A distância de Cuiabá via Campo Grande, Corumbá, Santa Cruz de la Sierra até o sul do Peru ou norte do Chile é de 2.700 km., enquanto de Cuiabá via Rio Branco, sul do Peru ou norte do Chile é de 3.500 km.

Reconhecidamente, o Estado boliviano está fazendo um esforço gigantesco para levar avante as obras já citadas e outras de igual importância em regiões no interior do País. Assim sendo, a conclusão ou mesmo a priorização da conclusão do asfalto deste trecho de 450 km, pelo Governo boliviano vai durar ainda muitos anos.

Os dois países mais interessados nesta ligação direta de Cuiabá a Santa Cruz de la Sierra são o Brasil e o Chile, embora os demais, principalmente Peru e Argentina e a própria Bolívia, também se beneficiarão da mesma. No âmbito regional, o Estado de Mato Grosso e as Regiões de Parinacota e Tarapacá no norte do Chile, diretamente serão as mais beneficiadas.

A idéia é juntar as respectivas forças políticas, de Brasília/Cuiabá e de Santiago/Arica/Iquique, no sentido da CAF/BNDES/BIRD, com o devido “de acordo do Estado boliviano”, garantirem financeiramente a conclusão asfáltica destes 450 km desta estrada, a exemplo do que se está fazendo de Corumbá para Santa Cruz de la Sierra, a ser concluído este ano e de Rio Branco, no Acre para o Sul do Peru, a ser concluído no final do próximo ano.

A fim de viabilizar de imediato a Rota Comercial Cuiabá – Santa Cruz de La Sierra – norte do Chile, via Tambo Quemado, com exportação/importação de alimentos, principalmente carnes, bovina, suína, aves, açúcar, óleo e farinha de soja, além de couro e algodão, frutos do mar pescado, farinha de peixe, fertilizantes, condimentos, bebidas entre outros produtos é imprescindível que os serviços aduaneiros e fito sanitário dos três países se aproximem e se acordem para consecução deste objetivo.

Nunca é demais lembrar, que aos Governos cabe fazer as estradas e criar as condições legais viáveis para os empresários fazerem as Rotas de Comércio.

Não se entende porque dois grandes pólos econômicos como Santa Cruz de La Sierra e Cuiabá, até hoje, se quer são ligados com transporte de passageiros, aéreo ou terrestre, regular e diretos. Por outro lado, não se pode esquecer que as rodovias se constituem no principal fator de ocupação dos vazios demográficos, principalmente se asfaltadas.

Serafim Carvalho Melo é vice-presidente do Conselho de Integração Internacional da FIEMT

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