quinta-feira, 22/fevereiro/2024
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Quando o assunto é a esperança

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As eleições de 2010 dificilmente seguirão os padrões de comportamento social consagrados em eleições anteriores. Por uma série de razões. Entre elas, o fato de que a sociedade está efetivamente mudando e experimentando transformações muito novas. Vamos a algumas: a classe média que hoje abrange 52% da pirâmide social brasileira era de apenas 6% em 1995. Os movimentos sociais pouco representavam dentro da formação de opinião política no país. Hoje os movimentos sociais ligados ao assentamentos rurais, aos movimentos de bairros urbanos, os movimentos étnicos, da diversidade sexual, os quilombolas, os indígenas e os religiosos, são crescentemente os novos formadores de opinião no lugar da velha e consagrada classe média, que perdeu todos os seus espaços.

Em Mato Grosso existem 140 mil famílias vivendo da agricultura familiar, seja em assentamentos ou em comunidades. Elas representam cerca de 705 mil mato-grossenses, ou 24,5% da população de 2.857.000 habitantes (dados do IBGE – 2007). É uma nova posição dentro da sociedade estadual. Esse novo cidadão está se politizando dentro de uma nova realidade familiar e econômica, na medida em que grande número deles sai da exclusão urbana e começa vida nova no campo, assistidos pelos programas sociais públicos. Uma espécie de êxodo urbano, ao contrário do êxodo rural dos anos 50 e 60.

Não vou estender sobre essa nova realidade sócio-econômica. Mas quero deter-me na questão da nova linguagem que nasce a partir daí. Na eleição passada, e nem faz tanto tempo assim. Dois anos pouco representam, mas foram capazes de dar início a uma nova realidade social. O que está crescendo junto com essas mudanças, é um elemento altamente subjetivo: a esperança. Esperança traz junto outro componente ainda mais subjetivo: o sonho!

A ideia é que falar para esse novo cidadão é, também, falar para um novo eleitor, numa linguagem que lhe passe a percepção de que a promessa política será a de realização dos seus sonhos. No lugar da promessa de uma obra física, pesará mais a questão do sonho. O que seria o sonho? Uma casa, um carro, um emprego, um lote rural? Pode ser isso ou qualquer coisa que represente algo pessoal, da família ou do cidadão-eleitor.

O novo eleitor-cidadão quer saber como as obras físicas e os programas e projetos irão afetá-los na sua vida pessoal. É uma nova linguagem que aparece nos cenários políticos e exigirá dos políticos uma nova percepção, sob pena de falarem sozinhos. O eleitor tem esperanças e sonhos. E quer ouvir falar disso!

Onofre Ribeiro é secretário-adjunto de Imprensa da Secretaria de Comunicação Social do Governo de Mato Grosso
[email protected]

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