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Quando o amor tem quatro patas!

Soraya Medeiros é jornalista em Mato Grosso
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Dias atrás, ao passar distraidamente pelas redes sociais, fui interrompida por um texto que pedia pausa. Uma amiga querida, Stélida, havia escrito sobre a perda do seu companheiro de quatro patas, Theodoro. Não era apenas um relato de despedida, mas uma declaração de amor capaz de tocar até quem nunca viveu a experiência de dividir a vida com um animal.

Para quem convive com esse tipo de vínculo, a nomenclatura pouco importa. O que existe é a certeza de que eles se tornam membros vitais da família. Compartilham rotinas, reconhecem o tom da nossa voz, entendem nossos silêncios e oferecem uma presença inteira — algo cada vez mais raro em um mundo apressado e distraído.

Theodoro esteve ao lado de Stélida por 11 anos. Foram anos de convivência simples e profunda, feita de hábitos cotidianos que só revelam seu verdadeiro valor diante da ausência. O barulho das patinhas no corredor, o suspiro profundo ao se acomodar aos pés do sofá, o olhar que buscava confirmação: tudo permanece fisicamente igual na casa, mas emocionalmente transformado.

Há perdas que não fazem barulho para o mundo lá fora. Não alteram a paisagem da rua, mas reorganizam todo o nosso interior. A ausência de um companheiro fiel se manifesta nos pequenos vazios — no horário do passeio que já não se cumpre, no canto da sala agora desabitado, no silêncio que, de repente, passa a ter peso.

A despedida nunca vem acompanhada de preparo. Nenhuma experiência anterior ensina como seguir quando o afeto que nos ancorava diariamente deixa de estar presente de forma concreta. O que permanece, no entanto, é a memória: não como dor pura, mas como um lugar seguro onde o amor continua existindo, protegido do tempo.

Este texto nasceu da necessidade de registrar esse vínculo. Não para suavizar a perda, mas para reconhecê-la como legítima e grandiosa. Porque histórias que foram verdadeiras merecem ser contadas. E porque a relação construída ao longo de mais de uma década entre Theodoro e Stélida foi, acima de tudo, uma história que deu certo.

Theodoro partiu, mas ficou. Ficou na lembrança, na palavra escrita e no afeto que atravessa os anos. Alguns amores não terminam com a despedida. Apenas mudam de lugar.

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