Opinião

PPS: facção e factóides

“Antes de começar a criticar os defeitos dos outros, enumere ao menos dez dos teus”. A frase é de Abraham Lincoln, o 16º Presidente dos Estados Unidos da América. Tomo-a emprestada como referência e síntese do que acontece hoje numa facção do partido do governador Blairo Maggi, o PPS.
Cabeças privilegiadas como as dos ex-prefeitos Percival Muniz e Otaviano Pivetta (e tantos outros que se acham o máximo), consideradas, ao menos pelos próprios, referências éticas e morais em Mato Grosso, se autonomearam timoneiros do PPS em relação ao projeto político do governador Maggi. Criaram uma facção e muitos factóides. E estão atingindo seus objetivos: aparecer na imprensa e prejudicar o governo Blairo Maggi.
É claro que cada um tem o direito de pensar e falar aquilo que julga verdadeiro. Às vezes, ensina Freud, nem é bom contrariar… Mas não podemos deixar de relativizar os fatos e separar a ficção da realidade.
Blairo Maggi faz um bom governo. Isso é realidade. É um governador disciplinado, decidido e dono de uma boa vontade imensa. Além disso, sabe administrar bem a máquina pública através de um modelo gerencial moderno e bem formatado. Por essas características, Maggi tem conseguido avançar em importantes áreas, como na saúde, na construção de estradas e casas populares.
É por acreditar e fazer parte desse trabalho, que os parlamentares estaduais, federais, prefeitos e vereadores do PP apóiam seu governo e continuam a dar toda a sustentação de que ele precisa para continuar a avançar. Afirmo isso como aliado fiel, que tem honrado a cada minuto a palavra e o compromisso da governabilidade.
Mas não é por isso que devemos nos privar do espírito crítico e do dever da fiscalização. Se, por um lado, o Executivo é bom no geral, por outro vai mal em setores específicos e essenciais para o desenvolvimento social.
A educação é um exemplo. E, nesse caso, o governo peca pela omissão. Já afirmei e repito: não tenho nada pessoal contra a secretária Ana Carla Muniz. Minha cisma é com sua incompetência como gestora pública. A pessoa da secretária é até simpática e charmosa. Articulada, ela usa bem as palavras para conquistar o interlocutor. Mas o resultado de seu trabalho é pífio, pois se pauta pelo amadorismo e pela lógica de beneficiar apenas seus interesses políticos e eleitorais.
Vamos a alguns fatos. A secretária Ana Carla, apesar do jogo de cena, não sabe o que é educação. Infelizmente, também não sabe o que é política educacional. Vou dar só dois exemplos. 1)Ela tem um péssimo relacionamento com os professores, os quais se sentem desprestigiados e relegados a um segundo plano – principalmente por falta de respeito e diálogo. Não é à toa que o setor está em greve.
2)Por motivos óbvios, ela tem o péssimo hábito de privilegiar sua base eleitoral, Rondonópolis, em detrimento a municípios menores e mais carentes – portanto, mais necessitados.
No dia 27 de dezembro de 2004, já com o ano letivo encerrado, Ana Carla deu um presente a seu marido, o então prefeito Percival Muniz. Ela fez um convênio aditivo no valor de R$ 564.000,00 à prefeitura de Rondonópolis. O suposto beneficiado deveria ter sido o sucessor de Muniz, certo? Errado. O montante de mais de meio milhão de reais foi liberado dois dias após o presente de Natal: em 29 de dezembro do mesmo ano.
E os privilégios descarados não param por aí. Do total de R$ 10 milhões investidos em transporte escolar, Rondonópolis recebeu em 2004 o montante de R$ 1,2 milhões. Esse valor é maior do que o recebido por trinta cidades juntas.
Às escolas de Rondonópolis, apontam documentos oficiais, não faltam verbas nem para o corte de árvores e a manutenção de jardins. Até aí tudo bem. Os cidadãos rondonopolitanos merecem tais recursos. O problema é que os cidadãos de outros 140 municípios também merecem o mesmo tratamento da senhora secretária e do governo que ela representa.
É justamente essa política espúria de se beneficiar apenas sua base eleitoral que tem recebido meu repúdio.

É com base na convicção de que o governo precisa melhorar ainda mais, aperfeiçoando aquilo que vai bem e mudando radicalmente o que vai mal, que considero importante o apoio do PP ao governador e a seu projeto de reeleição. E temos tido a total reciprocidade de Maggi, que tem nos tratado com atenção e respeito, características inerentes àqueles que possuem a virtude de ouvir e ponderar antes de agir.
Talvez seja justamente esse tratamento digno que tanto incomoda os “caciques” do PPS. A eles, mínimos em autocrítica e máximos em autoengano, arautos da moralidade e imbatíveis eleitoralmente, deixo um trecho de uma fábula de Esopo, escrita há mais de 2.500 anos, apenas para reflexão: “Pensando em conseguir de uma só vez todos os ovos de ouro que a galinha poderia lhe dar, ele a matou e a abriu. Estarrecido, apenas descobriu que não havia nada dentro dela”.

José Riva é deputado estadual pelo PP