Opinião

Ministério do Meio Ambiente e as Políticas Locais

Fico pensando no que diremos para a Ministra Marina da Silva.
Quais projetos foram realizados nos últimos anos em relação ao meio
ambiente?
De que equipe dispomos para resolver os problemas ambientais do nosso
município? Da mesma equipe que participou da reunião “Elaboração do Programa
de Educação Ambiental para a Amazônia Mato-grossense” realizada em
01/07/2005 com o representante do Ministério do Meio Ambiente? Equipe esta
que não esteve presente na parte da manhã e que na parte da tarde, além de
chegar 1 hora atrasada, ficou presente apenas parte do tempo e abandonou a
reunião? Que, no pouco tempo em que participou, interrompeu o palestrante
para cobrar um projeto que não sabia explicar direito de que esse projeto
tratava e nem mesmo para onde o haviam mandado? Que não sabia o que é a
FNMA? Que não sabe o que é “população do entorno de área de preservação” nem
o que é “parque urbano”?
Infelizmente, crescer de maneira sustentada e respeitando o meio ambiente
vai muito além de discurso político de geração de empregos. Envolve pressões
internacionais, que devem ser expressas em barreiras comerciais a quem
produz sem respeitar o meio ambiente, como já está fazendo a Irlanda e que,
ao que tudo indica, será seguida pela maioria dos países da União Européia.
Em nosso  município, nem a lei orgânica municipal conseguimos cumprir:

– Cadê o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Art. 221)?
– Cadê a Educação Ambiental Obrigatória nas escolas (Art 218 – V)?
– Cadê  a Proteção da Fauna (caça e pesca ilegal)  (Art. 218 – VII)?

E o que estamos fazendo, na prática, em relação às 80 famílias de
pescadores que sobrevivem do extrativismo e que passam dificuldades por
estarem sendo proibidos de pescar pelos donos de terra e de condomínios de
luxo? Que concorrem com a pesca ilegal e predatória e ainda têm seus acessos
aos rios bloqueados ou são coagidos por seguranças a deixar os locais de
pesca?
Se podemos autorizar essas e outras muitas injustiças por que estamos
gerando empregos, então deveríamos autorizar o tráfico de drogas, o roubo e
desmanche de carros, etc., pois estas e tantas outras atividades
consideradas moralmente incorretas, também geram “empregos diretos e
indiretos”.
Enfim, sobre o que dizermos à Ministra Marina da Silva, que tal dizer:

“Sra. Ministra, nós fizemos traquinagens, pouco caso e não cumprimos a
lei, mas prometemos que vamos mudar!”

Jaime Figueiredo é presidente da Ecofloresta – Grupo Ambiental de MT