Opinião

Marly, presidente do PT

A vitória da senadora Serys Marly para presidência do diretório regional do PT em Mato Grosso está comumente sendo traduzida, no meio intelectual, como troca de timoneiro do Titanic. O que está errado. É apenas caridade, que implica no fato do coração lhe motivar a ir além. Literalmente significa cumprir com o dever de fazer uma faxina – querendo ou não. Além do que é um resulto da responsabilidade de chegar aos seus eleitores não petistas e dar mais de seu tempo e esforço. Afinal, não foi eleita, com o dinheiro dos madeireiros e com o ataque clandestino ao meio ambiente. E ao que tudo indica foi boicotada, por Marcos Valério e companhia.

Há muitos projetos possíveis com os pobres, os doentes, as pessoas (companheiros) que se corromperam e abusaram da coisa pública. Tudo deve começar dentro de sua própria casa política. Se os familiares (eleitores) estão com fome de ética e um correligionário, que não tem mais o alimento fácil a procurar, antes de dar abrigo, para esta pessoa, deve a senadora ajudar os seus eleitores primeiro. A partir daí, segue-se para fora – ajudando-o com a abertura de inquérito policial. Incitando-o a devolver a apropriação indébita do fundo partidário. E no final, reparar a grande fraude eleitoral, que se constituiu o famigerado governo Lula.

Ela pode, também, proteger nossa auto-estima, dando a real contabilidade petista da última eleição, ao Ministério Público, antes que lhe peçam. O fator principal é que cada eleitor seu tem sua necessidade e é de sua obrigação ajudar cada um de acordo com seu desejo lídimo. Como diz a velha frase: no lugar de dar um peixe para comer, ensine-o a ser pescador. Este representa o nível mais alto, pois a partir daí o eleitor desiludido pode sair e ajudar aos outros – desesperançados. Antevejo que se pode melhorar alguma coisa, mas não salvar o PT em si, mas isto é minha opinião – pessoal – e de pouca valia. Não abro mão de que corrupto, de direita ou de esquerda, tem que ter lugar e manchete policial. Muitas das grandes mudanças do mundo foram bem sucedidas devido à força qualitativa e não de números: o movimento dos direitos civis, do direito da mulher ou até da salvação do mico-leão-dourado, na Mata Atlântica, ocorreram mais por abnega ç! ão pessoal de alguns, do que outra coisa qualquer. E se não existir nenhuma organização suficiente contra o petismo enriquecido à custa do erário, que se faça aos cuidados e mimos, o movimento dos petistas arrependidos e honestos, que teimosamente querem remar contra a maré interna do PT. Não existe nenhuma garantia de sucesso, mas quem disse que se deve sair vencedor de todas as batalhas?

Contudo, considerando que temos bons e maus filhos. E que sob as costas honradas da senadora, tantos venderam o peixe de que eram honestos. E que alguns acabaram até comprando avião, fazenda aqui outra acolá etc., que a nova direção do PT local, seja o elemento que catalise e denuncie os panos quentes. Grandes ou pequenas são as metas. Se quisermos fazer a diferença, tudo é possível. É preciso compartilhar o fardo com os eleitores não petistas.

Há um reconhecimento latente de que tudo, inclusive a necessidade nacional de um governo honesto, não sucumbiu com a história recente do PT. Não se pode duvidar que somos todos responsáveis pelo mundo e por lidar com os problemas que há nele. Tudo na terra, tanto o problema como também a solução oferece a oportunidade para se crescer e até para pedir perdão pelos nossos erros ou de outros.

No ensejo, a senadora deve sentir em sua administração do PT local, primeiramente, as vítimas externas do PT – o povo brasileiro. Deve sentir as vítimas inocentes e internas do PT. Sentir as vítimas dos novos corruptores nacionais. Ver claramente a desesperança. A desilusão. Sentir o enorme sofrimento das pessoas sensíveis ao social, que nunca encontrarão mudança, nas políticas básicas, nesta geração de traídos – politicamente. E tomar e fazer uma administração do PT local – sem defesa do Lula omisso, que diz ou dizem por ele, não ter compartilhado do fardo da riqueza espúria. Perguntar, sempre, antes da ação, o que pode fazer para os não petistas, que desejam um governo ético, honesto e voltado aos interesses nacionais.

Hélcio Corrêa Gomes é advogado militante em Cuiabá e diretor-tesoureiro da OAB/MT