Mas é preciso dizer com clareza: essa riqueza ainda não chegou, como deveria, à vida da maioria dos mato-grossenses.
O Estado cresce, mas muitas famílias continuam à margem da segurança social. A economia avança, a arrecadação aumenta, a produção bate recordes, mas os benefícios desse desenvolvimento ainda não alcançam, na proporção necessária, quem mais precisa. Há municípios em que milhares de pessoas dependem do Bolsa Família para sobreviver.
Essa é a grande contradição que Mato Grosso precisa enfrentar.
O Estado precisa ir além dos grandes números. Precisa ser também o Estado da renda melhor distribuída, da comida na mesa, do emprego qualificado, da casa digna, da oportunidade para os jovens e da segurança financeira para as famílias.
Segundo o Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública, Mato Grosso aparece na última colocação no indicador de comprometimento de renda, que mede a relação entre dívidas bancárias e a renda total dos domicílios. Em outras palavras, apesar de toda a força da nossa economia, o cidadão mato-grossense está entre os mais pressionados pelas dívidas no Brasil.
Isso não é normal. E não pode ser tratado como se fosse apenas responsabilidade individual de quem se endividou.
Combater situação exige mais do que discursos. Exige decisão política. Exige governo presente. Exige uma gestão que compreenda que desenvolvimento econômico só tem sentido quando melhora a vida das pessoas.
Mato Grosso precisa virar essa página. Está na hora de fazer a riqueza produzida em nosso Estado chegar ao povo.
Isso significa investir em educação de qualidade, formação profissional, qualificação técnica, empreendedorismo, apoio aos pequenos negócios, infraestrutura urbana, saúde, habitação e programas sociais eficientes. Significa olhar para as regiões mais pobres, para os municípios menores, para as famílias que ainda vivem à margem da prosperidade que o Estado anuncia. Em resumo, precisa ouvir o clamor da população. O povo não pode ser tratado como um simples detalhe.
Um Estado verdadeiramente desenvolvido não pode se contentar em produzir riqueza. Precisa distribuir oportunidades.
O cidadão comum precisa sentir o crescimento no salário, no preço dos alimentos, na escola dos filhos, no atendimento de saúde, na segurança do bairro, na possibilidade de abrir um pequeno negócio, pagar suas contas e viver com dignidade.
Esse deve ser o centro de qualquer projeto sério para Mato Grosso.
O futuro do nosso Estado deve ser construído com mais equilíbrio, mais humanidade e mais compromisso com as pessoas. Para tal, basta vontade política e alguém com clara visão de sociedade.
Chegou a hora de repartir melhor as oportunidades. Chegou a hora de fazer a riqueza circular. Chegou a hora de garantir que o povo mato-grossense, que tanto trabalha e tanto produz, seja o principal beneficiário do desenvolvimento do próprio Estado. Porque riqueza de verdade não é apenas aquilo que aparece nas estatísticas. É aquilo que chega à mesa, à casa e à vida das pessoas.


