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Foro Privilegiado de Mãe

Roseni Aparecida Farinacio
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Meus dois filhos Guilherme, 34 anos, e Gustavo, 18, mais do que ninguém podem contar as agruras de ter uma mãe advogada. Mas o desafio de conseguir tornar simbióticas essas duas funções não foi uma tarefa fácil na minha vida. E esse aprendizado é algo que devo à minha própria mãe.

Comecei a trabalhar com ela, aos 11 anos, como doméstica. Ela lavava as roupas e eu limpava a casa onde prestávamos serviço. Terminei o segundo grau, hoje ensino médio, e parei de estudar porque me casei e meu marido não aceitava que eu estudasse. Logo Guilherme, meu primeiro filho, nasceu e depois de sete anos encarei uma separação traumática.

Morávamos no Paraná e quando fui convidada a trabalhar no Departamento Jurídico de uma cooperativa vi a oportunidade de voltar a estudar e cursar Direito. Passei no vestibular de uma faculdade há quase 100 quilômetros da minha casa e fazia o trajeto todos os dias de ônibus. Minha mãe foi meu suporte, pois cuidou do Guilherme durante todo esse período. Eu ia para a casa dela, em outra cidade, nos finais de semana para ficar com meu filho e para me tornar um pouco filha também.

Sofri assédio, bullying, preconceitos de todo tipo. Era uma mulher separada e meu próprio pai achava inadmissível que quisesse estudar, ter uma profissão e ser independente. Naquela época, mulheres como eu, decididas e cheias de atitude, não eram vistas com bons olhos pela sociedade. Mas, minha mãe, nunca me faltou e jamais deixou de me estimular a seguir adiante.

Conclui a tão sonhada Faculdade de Direito em 1994, já com 32 anos. Eu sabia que ia ocupar meu espaço no universo profissional e ser respeitada por isso, não importava quanto eu precisasse andar no mundo. E foi aí que surgiu Mato Grosso.

Ao me formar, vim cuidar do jurídico de uma cooperativa em Diamantino e depois de 6 anos recebi o convite para ser Coordenadora do Fórum Criminal de Cuiabá. Fiz a Escola de Magistratura, depois fui trabalhar num dos maiores escritórios de advocacia da capital, tive meu filho Gustavo, montei meu próprio escritório, fui relatora do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MT, entre 2016 e 2018, e agora sou uma das diretoras da Caixa de Assistência dos Advogados de Mato Grosso (CAA/MT).

Eu, assim como muitas advogadas, encarei dificuldades, deixei muitas vezes meus filhos em prol do sonho de exercer o Direito e fazer desse mundo um lugar mais justo. Tive minha mãe como musa e espero servir de inspiração para as minhas netas Thayla, 11 anos, e Alice, 2.

E se o foro privilegiado quebra o princípio de que todos são iguais perante a lei, ele se justifica na necessidade de proteger essa função tão especial que é ser MÃE.

Que os nossos filhos, legítimos ocupantes dos cargos dos Tribunais Superiores das nossas vidas, consigam entender nossas ausências e a importância do nosso trabalho em prol do Direito e das Mulheres.

Feliz Dia das Mães à todas as mulheres que por amor aos filhos enfrentam o mundo!

Roseni Aparecida Farinacio – advogada e Diretora da Caixa de Assistência dos Advogados de Mato Grosso

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