O controle adequado da glicose no sangue é um dos pilares para a prevenção de complicações associadas ao diabetes, uma condição crônica que afeta milhões de pessoas e que exige acompanhamento contínuo, mudanças de estilo de vida e, muitas vezes, tratamento medicamentoso. Mesmo pacientes que seguem corretamente a prescrição médica podem enfrentar dificuldades para manter níveis glicêmicos estáveis, muitas vezes por hábitos cotidianos que passam despercebidos, mas exercem impacto direto sobre o metabolismo da glicose.
Um dos fatores que mais prejudicam o controle glicêmico é o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, mesmo quando ingeridos em pequenas quantidades de forma regular ou sob a falsa percepção de serem inofensivos. Esses produtos são ricos em açúcares simples, farinhas refinadas e aditivos químicos, o que favorece picos rápidos de glicose no sangue, seguidos de quedas abruptas.
Esse padrão de variação glicêmica sobrecarrega o pâncreas e dificulta a ação adequada da insulina. Além disso, o consumo regular de ultraprocessados contribui para processos inflamatórios e para o aumento da resistência à insulina, mecanismo central no desenvolvimento e na progressão do diabetes tipo 2. Muitas vezes, o paciente reduz doces evidentes, mas mantém alimentos industrializados no dia a dia, comprometendo silenciosamente o controle da glicemia.
Outro hábito bastante comum e igualmente prejudicial é a irregularidade nos horários das refeições, especialmente quando associada a longos períodos de jejum não planejado ou sem orientação profissional ou a refeições concentradas em grandes volumes no final do dia. O organismo responde melhor quando existe previsibilidade metabólica, com horários mais regulares para se alimentar.
Pular refeições ou permanecer muitas horas sem comer sem planejamento adequado pode levar a oscilações importantes da glicemia, favorecendo tanto episódios de hipoglicemia quanto elevações acentuadas do açúcar no sangue após a alimentação. Esse comportamento desorganiza a liberação de insulina e de outros hormônios envolvidos no controle glicêmico, dificultando o manejo da doença mesmo quando o tratamento medicamentoso está correto.
O controle da glicose não depende apenas de medicamentos ou de restrições extremas, mas de escolhas diárias que envolvem alimentação, rotina e autocuidado. Ajustes simples, quando bem orientados, podem gerar impactos positivos significativos nos exames e na qualidade de vida.
O acompanhamento regular com o endocrinologista é fundamental para identificar esses hábitos, orientar mudanças individualizadas e construir um controle glicêmico mais seguro, sustentável e alinhado à realidade de cada paciente ao longo do tempo.


