quinta-feira, 29/fevereiro/2024
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Desculpe o transtorno, estamos mudando o país!

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É hora de uma nova geração que não aceitará o atual direcionamento do país com as velhas e intragáveis máximas "é assim mesmo" e "rouba, mas faz"

Meu filho ligou. Disse que participará da manifestação. Orgulho ou medo? Retruquei. Disse que estava em São Paulo e os manifestantes se aproximavam do lugar em que eu estava. Logo a seguir ele me orientou: Cuidado! Foi o início de um diálogo fantástico.

Num primeiro momento ao ver jovens e idosos indo às ruas para levar a público seu inconformismo com a situação política, econômica e social do país, senti orgulho. Já tive a oportunidade de participar de uma grande manifestação, no histórico impeachment de Collor, e não o fiz.

Cenas de violência, desordem, fogo em veículos, bombas de gás, tiros! São tantos os casos em processos e em notícias de jornais que mostraram jovens vítimas de balas perdidas, mortes decorrentes de reações instintivas de policiais, fatalidades. Nó na garganta ao imaginar um filho em meio a um movimento com qualquer destas consequências.
A mídia cobre passo a passo a manifestação. Todo o dia foi marcado por avisos de que a manifestação ocorreria nas capitais do país. A polícia se comprometia a não utilizar balas de borracha e os manifestantes a comportarem-se pacificamente. Muitos momentos de tensão.

Os manifestantes se vestem de branco, cantam e caminham pelas ruas do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, entre outras capitais. As primeiras reuniões visavam protestar contra as tarifas de ônibus, mas a sociedade viu que muitos pontos devem ser revistos na nação, saúde, educação, transporte e principalmente os desperdícios de dinheiro público com obras denominadas "elefantes brancos".

Em Cuiabá, hoje, um dos dias de maior repercussão das manifestações do país, houve a redução na tarifa de ônibus em R$ 0,10 (dez centavos). Isso mesmo, caso não queira crer, a tarifa sairá de R$ 2,95 e irá para R$ 2,85 e não tem nenhum viés político!!!! Quanto custa calar uma manifestação?
Já passam das 22h00min (vinte e duas horas). Os manifestantes pacíficos seguiram para suas casas. Seus pais e avós acompanhavam seus filhos adolescentes na caminhada, alternativas inteligentes: engrossar um movimento social nacional e justo; e por outro lado, verificar a segurança de seus filhos.

Sobraram os desordeiros e marginais. Violência, invasão de lugares públicos, pichações, carros e fogueiras. Polícia em ação. Uma pena! Poderia ser perfeito. Perfeição? A razão está mais para Legião Urbana: "Vamos celebrar a estupidez humana… Venha que o que vem é perfeição"!

Os adolescentes dão as mãos, descem a rampa do Congresso Nacional, é comoção total. Chega de corrupção, show de vaidades, alienação do povo. É hora de uma nova geração que não aceitará o atual direcionamento do país com as velhas e intragáveis máximas "é assim mesmo" e "rouba, mas faz".

Medo, a primeira coisa a fazer é proibir seu filho de participar de manifestações. Orgulho, ao ver que amadureceu e consegue de forma inteligente protestar pacificamente, retornar para casa no momento certo, afastar-se da violência e proteger seus amigos. Perfeição, se pais e filhos estiverem juntos dizendo ao povo: "Desculpe o transtorno, estamos mudando o país"!

Sandra Cristina Alves é bacharel em Direito e analista judiciário da Corregedoria-Geral da Justiça do TJMT.
[email protected]

 

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