domingo, 3/março/2024
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Alta Floresta e o dia em que 5 vereadores entraram para a história

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Entre o desespero e a esperteza morrem mundos; felizmente a justiça e a verdade sobrepõem a ambas. Mais uma frase para explorarem após a minha morte, ou antes, caso eu dê sorte. Autor de diversos livros, meu amigo e escritor Domingos Pellegrini – chamo-o de meu amigo e espero revê-lo um dia para reforçar essa minha afirmação – iniciou sua carreira literária com o romance “A árvore que dava dinheiro”: livro que recomendo. Tenho uma edição de 1993 e, se for o caso, empresto. Além de um excelente entretenimento, que eu chamaria de uma leitura prazerosa, a história nos leva à reflexão para a vida e para a maioria de nossas ações enquanto simples mortais.  De repente o livro me veio à mente e eu acredito seja porque, na vida tudo tem o seu tempo certo. O tempo de plantar e o tempo de colher. Isso é bíblico. Quanto ao livro, existe o momento das flores, dos frutos e, o mais intrigante, o momento em que as árvores deixam de dar dinheiro. Deixam de dar dinheiro. Entendam bem essa frase, caros leitores, ela está, e não está, no sentido metafórico. Para o contentamento das pessoas do bem e para o desgosto dos contrários, as árvores deixaram de dar dinheiro.

Pois bem. Na última terça-feira, 22 de junho de 2010, cinco vereadores da cidade de Alta Floresta, localizada no norte do estado de Mato Grosso, cerca de 800 quilômetros da capital Cuiabá, Nilson Rodrigues (DEM), Emerson Machado (PMDB), Charles Miranda (PR), Ângelo de Campos (PR) e Reinaldo de Souza, o Lau da Rodoviária (PTB), acabam de entrar para a história. Para a história de Alta Floresta, para a história de Mato Grosso, enfim, para a história. Parabéns. Parabéns por cultuarem o pensamento do passado. Do passado que repudiou, nas urnas, àqueles que, em nome de algumas benesses, esqueceram os interesses do município e de seus cidadãos de bem (e não simplesmente de bens).
Talvez os interesses hoje sejam outros, as benesses sejam outras… Dinheiro? Para alguns, este, talvez, continuem sendo o pensamento. Mas, para outros, não. Querem outros benefícios. Indignos. Mas querem esses “outros” benefícios.
Cidadãos que simplesmente por morarem do outro lado do rio e que têm o direito, o dever e a obrigação de pagarem seus impostos (todos eles) ao município de Alta Floresta (porque são –comprovadamente – cidadãos alta florestenses) não têm – na visão desses ilustres vereadores –, o direito de terem suas estradas arrumadas. Estradas comunitárias e não carreadores individuais como se cansou de fazer no passado, não em parceria, mas em troca: em troca de votos.
Esses cidadãos que em Alta Floresta tiveram e em Alta Floresta estudam seus filhos. Esses cidadãos que em Alta Floresta registraram seu gado (mais de 40 mil cabeças) e que, segundo o pioneiro alta florestense, Luiz Antonio Bazzo, corresponde a 20 por cento da economia do município, não têm o direito a ter estradas, porque, na hipócrita visão dos cinco vereadores, eles têm suas propriedades (não moram!) do outro lado do rio e lá devem permanecer, isolados.
Sim. Na visão dos cinco vereadores oponentes ao progresso de Alta Floresta, desde que essa “oposição burra”, consiga fazer a politicagem satisfatória aos interesses dos “senhores” e dos “senhores”. É melhor não apoiar esse povo para que a prefeita se ferre. Quanta inocência! Quanta falta de visão política! Quanta burrice!
Esses senhores, políticos do passado, tiveram a resposta. E ela veio nas ruas. Nas avenidas principais de Alta Floresta. O setor produtivo desfilou com suas máquinas, seus caminhões e seus tratores e foram apoiados por empresários e comerciantes que também colocaram seus carros e suas motos nas avenidas que, por algum tempo se transformaram em avenidas Rebouças e  Nove de Julho paulistas. Ao som de “Obrigado ao homem do campo”, eles, os cinco vereadores (representantes de um grupo que coloca os interesses políticos e particulares acima dos interesses do povo) tiveram a resposta. “Não. Vocês precisaram de nossos votos. “Mas agora – dizia um cidadão de bem e contribuinte sincero e não político – agora nós não precisamos de vocês”. Não precisamos – reitero – porque amamos Alta Floresta e queremos o seu desenvolvimento. Ao contrário de vocês e de seus correligionários que visam apenas o amanhã, os seus amanhãs políticos e não o amanhã de nosso município e de nossos filhos, netos e… Parabéns vereadores pela excelente atuação.
Ah! Ia me esquecendo de dizer o que me disse um outro cidadão: “Esse é um ano político e coitado dos candidatos que esses cinco vereadores apoiarem”. Depois ele corrigiu: “Eles podem apoiar quem eles quiserem, mas os candidatos que quiserem ser eleitos, não devem aceitar o apoio deles”.

Carlos Alberto de Lima é jornalista em Alta Floresta

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