Opinião

Agora não falta mais palanque

Se até a última quinzena faltava palanque à oposição que brigava com
tenacidade pela CPI dos Correios, como forma de capitalizar politicamente a
apuração das denúncias de favorecimentos e corrupção naquela instituição,
agora, esse instrumento político já está sobrando. A crise política em que
se envolveu o partido do governo e sua base aliada, agravada ainda mais
pelas recentes denúncias do presidente do PTB, deputado Roberto Jéferson
sobre o tal “mesadão”, onde ele cita até o nome do Presidente da República,
talvez se constitua no maior presente que a oposição já recebeu até hoje do
governo do PT, depois da presidência da Câmara, claro.

A situação exige tão somente a atitude que a sociedade brasileira espera
de um governo que se diz ético e transparente: uma apuração rigorosa que
atribua responsabilidades a quem quer que seja. Isso no âmbito político, já
que em paralelo, o Judiciário está atento e acompanha o desdobramento dos
fatos.

Se no início do ano, Lula ainda gozava de uma popularidade invejável, na
qual se sustentava para disputar a reeleição, agora, o abalo nesta condição
já aponta para o descrédito de parcela da sociedade em relação ao seu
governo. Isso fortalece a oposição que não perderá a chance de crescer
dentro desses episódios.

A princípio, se a perplexidade causada pelos freqüentes desacertos do
governo no campo político era a tônica, hoje, a idéia geral e que se espalha
com velocidade espantosa é de que há, na verdade, com exceção do setor
econômico, uma falta de governo, uma desarticulação geral dentro do próprio
governo. As debilidades e inabilidades no trato com os políticos e
instituições, a reforma política adiada desde fevereiro e a falta de diálogo
com a base aliada formaram um ambiente instável e inseguro.

Ambiente este, propício para o discurso oposicionista que agora ganha peso
e atrai para si os holofotes. Ao escrever sobre “o ocaso do PT”, na Folha de
São Paulo da última quinta-feira, o articulista da Folha de São Paulo, Hélio
Schwartsman talvez tenha feito a leitura mais sintético e eloqüente do atual
momento por que passa o partido.

André Xavier é jornalista em Mato Grosso