Por muito tempo, aprendemos a esperar: o tempo certo, o momento ideal, o céu limpo. Crescemos acreditando que a vida começa quando a tempestade passa e tudo se acalma. Mas a vida não acontece depois — ela acontece agora, mesmo em meio às dificuldades.
Viver é reconhecer a tempestade, sentir o desconforto e, ainda assim, seguir em frente. É caminhar quando o chão está molhado, quando o vento bagunça os planos e o coração pede coragem.
É o que a escritora Clarice Lispector, tão atenta ao instante presente e às dores silenciosas do existir, traduziu com sensibilidade em A Paixão Segundo G.H.: “Viver ultrapassa todo entendimento”.
A frase nos lembra que a vida não cabe em planos lineares nem em previsões perfeitas; ela transborda tudo o que tentamos controlar. É justamente nessa instabilidade que descobrimos nossa própria força. Em tempos de incerteza, desenvolvemos resiliência e maturidade para compreender que nem tudo chega no tempo que desejamos — mas toda experiência carrega algum aprendizado.
A chuva não é castigo. É uma passagem. Prepara o terreno para o que ainda vai florescer, limpa o que já não faz sentido carregar e nos lembra que a vida não é feita apenas de dias claros, mas também de dias nublados que pedem firmeza e fé.
Atravessar a tempestade é seguir em movimento mesmo sem garantias. É continuar quando o cenário não é o ideal. É escolher a leveza sem negar a realidade. No fim, não são apenas os dias de sol que nos definem, mas a forma como atravessamos as tempestades.
A vida não espera o céu abrir. Ela acontece agora — nas poças d’água que insistimos em atravessar, no vento que desvia nossa rota, no passo seguinte que damos mesmo sem enxergar o chão. É nesse agora que construímos quem somos.
E você: qual “chuva” tem enfrentado que, no fundo, está preparando o seu terreno para florescer amanhã?


