quarta-feira, 28/fevereiro/2024
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Está no balanço do Ministério da Educação, divulgado no inicio da tarde desta quinta-feira, 04/02: UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) foi a instituição que teve, ao todo, o maior número de inscritos: 56.703.  Apesar de a primeira vista esse número dar a entender que a decisão da Magnífica Reitora em definir o ENEM como única forma de ingresso na UFMT foi correta, ele expressa exatamente o contrário.

Analisando as demais Instituições Federais de Ensino Superior que aderiram ao ENEM, o motivo fica claro. A UFMT é uma das poucas que adotaram o ENEM como única forma de ingressar no ensino superior. A Federal de Rondônia, por exemplo, destinou apenas metade das vagas para ingresso via ENEM. A Federal de São João Del Rey, que tem o curso mais procurado do país, oferece apenas uma vaga no curso de Medicina pelo ENEM, para a qual há mais de 500 candidatos por vaga.

A UFMT é também uma das que registraram  mais migrações de cursos. Quem se inscreveu no primeiro dia para Direito Matutino, por exemplo, migrou no segundo para o Noturno e ai foi surpreendido porque o Noturno tinha muitos candidatos, voltando para o Matutino. Qual o critério do MEC para chegar a esses números? No caso desse aluno conta uma ou três inscrições?  Se for uma, significa que a maioria desses alunos vem de fora porque a procura tradicional por ingresso na Federal, com cerca de 5 por cento de alunos de outros Estados, gira em torno dos 20, 25 mil candidatos. Em outras palavras, a Federal vai formar profissionais, cuja maioria ao terminar o curso vai exercer sua profissão em outros Estados, uma maravilha de conseqüência para nossa economia.  Isso para não falar nos que se inscreveram em cursos para os quais não têm nenhuma vocação.

Nos próximos dias saberemos se os alunos que fizeram as inscrições  confirmaram a matrícula. E aí poderá acontecer outro problema: os alunos confirmarem a matricula e serem aprovados em outras cidades (somente ontem e hoje FUVEST e UNICAMP, por exemplo, começaram a divulgar seus resultados e a Federal de Goiás ainda não divulgou). A vaga estará perdida e somente será recuperada se houver uma desistência oficial do aprovado, o que raramente acontece, até porque, exceção feita à Faculdade de Medicina, ninguém vai atrás de alunos que não assistem às aulas.

Para que se tenha idéia do que isso significa uma hoje aluna de Direito da UFMT, só o é porque estava na lista de espera depois de todas as chamadas. Por iniciativa própria descobriu que uma aluna nunca assistia às aulas, investigou, descobriu quem era e foi conversar com a aprovada, que morava em outra cidade, pedindo a desistência oficial para que ela pudesse fazer o curso.

Em outras palavras, no final do primeiro mês de aula, os professores que lecionam nos períodos iniciais poderão identificar quais e quantos alunos  se matricularam e estão realmente cursando e quantos estão apenas trancando vagas  e tornando o acesso ao ensino superior ainda mais complicado.

Há uma conseqüência ainda pior da decisão tomada pela UFMT.. O prejuízo físico e mental que a decisão provocou nos adolescentes que tiveram o azar de tentar ingressar agora na UFMT. Em todos os cantos se ouve narrativas de pais e parentes, sobre o estado psicológico de seus filhos. E a maioria absoluta lamenta que seus filhos estejam sendo usados como cobaias num experimento que desde o inicio sabia-se seria uma trapalhada, porque feito no afogadilho, às pressas por se tratar de um ano eleitoral.  Há entre essa molecada de 16, 17, 18 anos um sentimento de que foram tungados, injustiçados. E esses jovens estão inseguros, muito inseguros até mesmo sobre seus futuros.

O prejuízo, especialmente às principais vitimas do erro de agora,  nossos adolescentes, jamais será compensado, mas é de se esperar agora que os responsáveis por essa brincadeira de muito mau gosto  (especialmente aqui na UFMT), façam a necessária mea culpa,  se conscientizem da responsabilidade que têm  diante da sociedade,  impeçam que essa tragédia se repita, e que o sentimento de injustiça e insegurança que está no ar nunca mais venha a ser provocado por ninguém.

*Maurelio Menezes, jornalista, Mestre em Ciências da Comunicação/Jornalismo pela ECA/USP, é professor da Habilitação Jornalismo do Curso de Comunicação da UFMT e crítico assumido do ENEM da forma como foi adotado pela administração superior .

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