Opinião

A educação como objeto de campanhas políticas – parte II

A continuação deste artigo ao que diz respeito á educação, é oportuna posto que estamos em ano eleitoral e vamos ouvir muito a palavra investimento para a área. Promessas de enganar idiotas. Na primeira parte deste artigo, já publicado em edições anteriores, num resumo magro, fiz uma analogia paralela da educação nos idos de 60, 70. Como era diferente e verdadeira. Nele descrevi sobre o respeito pelo professor ou professora, e o entendimento de que a escola não era apenas transmissora de informação, mas sim, uma extensão continuada de bons comportamentos, tendo como equação a essência de um modelo educacional que muito influenciou na formação da personalidade do aluno, bem como seus direitos e deveres. Tinha total aval dos pais. Pois bem, chegamos á era da modernidade, da tecnologia digital, das redes sociais, dos pronomes americanizados estendidos em cartazes espalhados por todo o país, onde o cortejo, nesse sentido, prossegue sem controle, sem ideia das consequências do que será o futuro de uma geração que, ao invés de dilatar, aprimorar, se inteirar de tudo o que o mundo propaga, investe numa total dependência a tal ponto de tornar-se bitolado por um produto que não se responsabiliza pelo que produz ou publica.

Já faz algum tempo, a Educação no Brasil deixou de ser prioridade. Passou a ser objeto especulativo de interesses políticos. Não se vê, por exemplo, nenhum investimento concreto, lícito, e, responsavelmente necessário, na área de tecnologia. Enquanto isso, ao contrário do que deveria ser, as redes sociais, os celulares, a internet em si, são ferramentas de total abandono de si mesmo, de um total desligamento do mundo quando, na verdade, haveriam de ser instrumentos obrigatórios em todas as escolas. Evidencia-se a esse suposto modelo, o caráter responsável do uso da mesma, conclamando ou alertando sobre os efeitos negativos que esses instrumentos digitais podem causar para si, quando usados de forma irresponsável e incoerente com a sua efetividade qualitativa.
Chama-se de Educação de qualidade toda infraestrutura escolar que possa construir e redigir um laboratório de transmissão de conhecimento, não o considerado básico apenas – ler e escrever-, mas sim, disciplinar a personalidade dos alunos, pais e mestres, no sentido de que a principal estrutura escolar está condicionada a fatores ligados ao comprometimento de deveres e obrigações composto por governos, país, mestres e alunos, a missão de invocar a obrigatoriedade de socialização com o uso desses instrumentos tecnológicos, na indução de reflexões possíveis de serem compatibilizadas, bem como ideias ou atitudes que o comportamento humano abandonou.

A tecnologia está aí, está aqui, está em nós, está em todo o mundo. Porém, feliz é aquele que não se deixa dominar pelos modismos que o enredo descerra, mas sim, faz dela uma condicionante elementar de suplementação de pesquisa, aonde se possa, enquanto possível, ser autenticamente absorvido. A educação nos dias de hoje não tem, sequer, salas de aulas dignas de serem utilizadas. A iluminação é precária, as carteiras na sua maioria estão quebradas, não há material didático satisfatório, a merenda escolar… sabe lá como ela é, e assim prossegue o “velório” na educação. A socialização dos alunos é totalmente inexistente e tem como responsável, ela, a tecnologia que haveria de ser o instrumento inexoravelmente ampliador e indispensável. Como então acreditar que seja possível enxergar um Brasil de futuro, se o presente é uma falsa ideologia de boas intenções? Como entender que o Brasil está ciente de si mesmo, quanto á preocupação na construção da personalidade educacional dos filhos nas escolas, se a própria escola suplica por socorro? Melhor é deixar essa questão a quem, sem hipocrisia, possa pensar, não apenas em seus filhos biológicos, mas sim, nos filhos do Brasil que queremos amanhã.

Gilson Nunes é jornalista em Mato Grosso – [email protected]