A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) inaugura nesta quinta-feira (2) às 16 horas, o Centro de Pesquisa em Coleções Zoológicas (CPCZ), uma das mais importantes infraestruturas científicas voltadas ao estudo, à conservação e à valorização da biodiversidade brasileira. O espaço tem como objetivo reunir coleções científicas de relevância nacional e internacional em um ambiente integrado de pesquisa, formação de recursos humanos e inovação.
A execução do empreendimento teve início em maio de 2017, com a elaboração do projeto executivo, etapa que possibilitou o início das obras em agosto de 2019. A unidade foi coordenada pela Pró-Reitoria de Pesquisa, com gestão administrativa e financeira da Fundação Uniselva e fiscalização das obras pela prefeitura do Campus, por meio da Coordenação de Engenharia e Arquitetura, em permanente articulação com pesquisadores do Instituto de Biociências, servidores técnicos e demais equipes envolvidas na implantação do Centro.
Com aproximadamente 3 mil metros quadrados de área construída, o CPCZ foi concebido para abrigar o maior acervo zoológico do Centro-Oeste e um dos mais importantes do Brasil. Sua estrutura reúne ambientes especialmente projetados para conservação de coleções científicas, laboratórios especializados, auditório, áreas técnicas e espaços multiusuários destinados ao ensino, à pesquisa, à extensão e à formação de recursos humanos.
O acervo reúne milhões de espécimes distribuídos em importantes coleções de invertebrados, peixes, anfíbios, répteis, aves, mamíferos e fósseis, constituindo uma base científica essencial para pesquisas em taxonomia, sistemática, ecologia, conservação, paleontologia, mudanças ambientais e formulação de políticas públicas.
Para o professor Alexandre Cunha Ribeiro, do Instituto de Biociências e coordenador do CPCZ, a nova infraestrutura representa um divisor de águas para a pesquisa em biodiversidade desenvolvida na Universidade. “O CPCZ representa um marco histórico para a UFMT e para a ciência brasileira. Além de oferecer condições adequadas para a conservação e expansão dos acervos, o Centro fortalece a formação de novos pesquisadores, amplia as possibilidades de cooperação científica e consolida a Universidade como um polo estratégico para o estudo da biodiversidade”, disse, através da assessoria.
O Centro sediará ainda o Instituto Nacional de Coleoptera, rede científica coordenada pela UFMT e vinculada ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, dedicada ao estudo dos besouros e de suas aplicações em áreas como taxonomia, ecologia, conservação e monitoramento ambiental.
Entre os principais destaques do CPCZ está a Coleção Entomológica de Mato Grosso Eurides Furtado (CEMT – Eurides Furtado), uma das mais importantes coleções entomológicas da América Latina e referência internacional para o estudo dos besouros (Coleoptera). Criada em 1987 e rebatizada em 2022 em homenagem ao naturalista mato-grossense Eurides Furtado, a coleção reúne aproximadamente 500 mil exemplares preparados e cerca de seis milhões de espécimes em processo de incorporação científica, constituindo um dos mais relevantes acervos sobre a biodiversidade brasileira.
Além de sua expressiva representatividade para os estudos com besouros, a CEMT abriga um importante acervo de borboletas e mariposas, enriquecido pela doação realizada pela família de Eurides Furtado. Construída ao longo de mais de cinco décadas de dedicação à pesquisa, essa coleção reúne dezenas de milhares de exemplares e um valioso conjunto de registros científicos, assegurando a preservação de um patrimônio de grande relevância para as futuras gerações de pesquisadores.
Durante a cerimônia de inauguração, a UFMT prestará uma homenagem aos familiares de Eurides Furtado, em reconhecimento à generosa doação de parte significativa desse acervo científico e à contribuição do pesquisador para o desenvolvimento da entomologia em Mato Grosso e no Brasil.
Além da entomologia, o CPCZ abriga outras coleções de reconhecida relevância científica. A Coleção de Mollusca reúne um dos mais importantes acervos brasileiros de bivalves de água doce. A Coleção de Peixes possui cerca de dez mil lotes tombados, totalizando aproximadamente 61 mil espécimes. A Coleção Herpetológica reúne quase 13 mil répteis e mais de 20 mil anfíbios. A Coleção de Aves figura entre as dez maiores do Brasil, enquanto a Coleção de Mamíferos está entre as oito maiores do país. O Centro abriga ainda uma importante Coleção de Fósseis, composta por aproximadamente 430 espécimes, em sua maioria provenientes da Formação Crato, na Bacia do Araripe (CE), considerada um dos mais importantes depósitos fossilíferos do mundo pela extraordinária preservação de fósseis com cerca de 110 milhões de anos.
Segundo o professor Fernando Zagury Vaz-de-Mello, pesquisador do Instituto de Biociências da UFMT, curador da CEMT e uma das principais referências mundiais no estudo dos coleópteros, as coleções zoológicas constituem a base sobre a qual se desenvolve grande parte da pesquisa em biodiversidade. “As coleções guardam os espécimes-testemunho das pesquisas científicas e técnicas, permitindo que resultados sejam verificados e revisados ao longo do tempo. Além disso, o acúmulo desses materiais possibilita comparações fundamentais para compreender a diversidade biológica, identificar novas espécies e ampliar o conhecimento sobre a fauna brasileira.”
As celebrações pela inauguração do Centro de Pesquisa em Coleções Zoológicas terão início às 9 horas, na Sala dos Órgãos Colegiados da UFMT, com uma palestra comemorativa ministrada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Zoologia, professor Luís Fábio Silveira, sobre a importância das coleções zoológicas para a pesquisa científica. A conferência abordará o papel desses acervos na produção de conhecimento, na conservação da biodiversidade, na formação de pesquisadores e no desenvolvimento científico.
A solenidade de inauguração, às 16 horas, contará com a presença do professor Luís Fábio Silveira, diretor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e presidente da Sociedade Brasileira de Zoologia, e do diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Hugo Valadares, representando a ministra Luciana Santos. A programação inclui ainda o descerramento da placa inaugural, visita às instalações do Centro, exposição de exemplares representativos das coleções zoológicas e paleontológicas da UFMT e uma homenagem aos familiares de Eurides Furtado.
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