A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reduziu a pena de Gilberto Rodrigues dos Anjos, condenado pelos assassinatos de Cleci Calvi Cardoso, 45 anos, e as filhas Miliane Calvi Cardoso, 19 anos, Manuela Calvi Cardoso, 13 anos, e Melissa Calvi Cardoso, 10 anos, ocorridos em Sorriso em 2023. Com a decisão, que levou em conta a atenuante de confissão espontânea, a pena foi reduzida de 225 para 219 anos de cadeia.
Em entrevista ao portal Gazeta Digital, o viúvo de Cleci e pai das vítimas, Regivaldo Batista Cardoso, afirmou que a decisão representa um recado perigoso para outros criminosos. “Mostra para outras pessoas que cometem esse tipo de crime que é só confessar que ganha uma pena mais leve. Isso dá espaço para os caras fazerem mais e mais. A pena tinha que ser aumentada para inibir esse tipo de crime”, disparou.
Durante a entrevista, ele também criticou o sistema penal brasileiro e disse que se sente condenado “à prisão perpétua” pela perda irreparável da família. “Eu estou condenado a uma prisão perpétua porque vou passar o resto da minha vida sem poder ver minhas filhas, sem minha esposa. Já ele, daqui a 40 anos, pode sair da cadeia”, lamentou.
Regivaldo ainda afirmou que ficou “totalmente desapontado” com a Justiça. “Isso daí é mais uma vergonha. Nossa lei é muito fraca e muito benéfica para bandido”, declarou. Apesar da revolta, ele explicou que a família não pretende recorrer da decisão, já que a redução da pena não altera o tempo máximo de prisão permitido pela legislação brasileira, limitado a 40 anos em regime fechado. “É doloroso mexer nisso tudo de novo. Se impactasse no tempo que ele vai ficar preso, com certeza a gente iria pra cima. Mas não vai mudar”, disse.
O viúvo também defendeu penas mais severas para crimes dessa natureza e cobrou mudanças na legislação brasileira.
“Já passou da hora de existir prisão perpétua no Brasil para quem pratica crime contra mulheres e crianças. Um cara desse não se ressocializa nunca”, afirmou.
Em outro trecho, Regivaldo criticou as condições do sistema prisional e disse acreditar que criminosos acabam recebendo mais proteção do Estado do que as próprias vítimas. “O Estado dá mais proteção pra eles do que pra quem está aqui fora trabalhando e pagando imposto. Hoje está fácil ser bandido no Brasil”, declarou.
As vítimas foram assassinadas entre os dias 24 e 25 de novembro de 2023. Gilberto, que trabalhava em uma obra ao lado da residência da família, confessou os crimes e também os estupros das vítimas. Ele segue cumprindo pena em regime fechado.
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