O engenheiro agrônomo e técnico administrativo do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Sandro Caravina, abordou, ontem, sobre o vídeo que ganhou grande repercussão nas redes sociais, que mostra um casal de onças-pintadas na fazenda experimental do campus do instituto, às margens da BR-163. Segundo ele, “o registro não foi fruto do acaso, mas resultado de um trabalho contínuo de preservação ambiental e monitoramento da fauna iniciado em 2024”.
De acordo com Sandro, a área onde as onças foram filmadas já é reconhecida como um corredor ecológico. A partir dessa constatação, o IFMT implantou e mantém uma trilha ecológica equipada com câmeras de monitoramento do tipo trap, utilizadas para registrar a passagem de animais silvestres. Antes mesmo do flagrante do casal, já haviam sido identificadas espécies como onça-parda, jaguatirica e uma onça-pintada solitária.
O que mais chamou a atenção do pesquisador foi a presença de duas onças-pintadas juntas, comportamento considerado incomum fora do período reprodutivo. Para Sandro, o registro indica equilíbrio ambiental na área. “Mesmo com uma criação de carneiros localizada próxima ao trajeto dos animais, não houve ataque, o que demonstra que os predadores encontram alimento suficiente no próprio ambiente natural, como bandos de catetos que circulam pela região”, disse.
A trilha ecológica percorre cerca de um quilômetro, acompanhando a mata ciliar que deságua no rio Teles Pires. Além de funcionar como rota de deslocamento da fauna, o trecho preservado contribui para a proteção do manancial e reforça a importância da conservação ambiental mesmo em áreas com presença humana.
Atualmente, duas câmeras permanecem em funcionamento contínuo, com coleta frequente das imagens. O material registrado ainda passará por um processo de catalogação, previsto nos projetos de pesquisa do instituto. O monitoramento também já identificou situações irregulares, como a prática de ceva, que é a oferta de alimento a animais silvestres. Sandro ressalta que casos de caça ou outras infrações são passíveis de denúncia, já que a fazenda experimental é uma área federal.
Além da pesquisa, o IFMT pretende ampliar o uso da trilha para atividades de ensino, extensão e educação ambiental. Parcerias estão em articulação com a prefeitura de Sorriso para o reconhecimento formal do local como trilha ecológica, inclusive com potencial para a observação de aves, como ocorre em Sinop. Grupos de birdwatching e pesquisadores interessados em primatas já realizam visitas técnicas à área.
Embora ainda não exista um sistema oficial de agendamento, visitas podem ser discutidas diretamente com o campus, dentro de uma programação orientada, informou Sandro. O principal objetivo é garantir que a sociedade tenha acesso ao conhecimento gerado, compreendendo a importância da preservação da fauna, da flora e da bacia do rio Teles Pires.
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