A juíza Thatiana dos Santos decidiu manter a prisão de Otair de Matos, de 38 anos, preso em flagrante pelo assassinato de Luzia do Nascimento Ramos, de 50 anos, ocorrido na última sexta-feira à tarde, no bairro Boa Esperança. A decisão foi proferida durante audiência de custódia realizada neste sábado.
Conforme a decisão judicial, na qual Só Notícias teve acesso, a magistrada homologou a prisão em flagrante e converteu a detenção em prisão preventiva por feminicídio, entendendo que há indícios suficientes de autoria e materialidade do crime, além de elementos que apontam risco à ordem pública caso o suspeito fosse colocado em liberdade. De acordo com os autos, Luzia foi morta com o uso de um instrumento perfurocortante, em uma ação considerada de extrema violência, sem chance de defesa para a vítima. A juíza destacou que o modo de execução evidencia a gravidade concreta do crime e a periculosidade do acusado, fatores que justificam a manutenção da prisão.
A decisão também menciona que o crime foi praticado em um contexto de menosprezo à condição feminina (feminicídio), o que agrava a reprovabilidade da conduta e reforça a necessidade de uma resposta firme do Poder Judiciário. Além disso, foram considerados depoimentos de testemunhas e policiais que efetuaram a prisão, fortalecendo os indícios contra o suspeito.
Outro ponto levado em conta foi o histórico criminal de Otair de Matos, que, segundo consulta ao sistema judicial, responde a outros processos. Para a magistrada, a liberdade do investigado representa risco concreto de reiteração criminosa e ameaça à segurança da sociedade.
A juíza ainda determinou a realização de exame médico para avaliar a saúde mental do acusado, após a defesa alegar que ele seria portador de esquizofrenia. No entanto, ressaltou que eventual uso de substâncias entorpecentes não afasta a responsabilidade penal. Diante dos fundamentos apresentados, a Justiça concluiu que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes, mantendo o suspeito preso preventivamente enquanto o caso segue em investigação.
Conforme Só Notícias já informou, a equipe da Polícia Militar foi a primeira a ser acionada e encontrou a vítima caída na rua, ensanguentada, enquanto o suspeito fugia correndo. O homem foi abordado logo em seguida e reconhecido por testemunhas como o autor do crime. Durante a revista pessoal, nenhum objeto ilícito foi encontrado, porém o suspeito confessou ter esfaqueado a vítima, pois ela “havia dito que estava grávida dele e ele não iria assumir filho nenhum”. Porém, Só Notícias apurou com fontes que exames no Instituto Médico Legal descartaram essa hipótese de gravidez.
Conforme o registro da polícia, ele demonstrava sinais de uso de entorpecentes e, aos policiais, apresentou uma versão que ainda será investigada. Testemunhas relataram que o suspeito estava bastante alterado e, antes de atacar a vítima, teria tentado atingir o filho de uma delas com uma faca. Uma outra testemunha contou que Luzia havia ido até a sua residência e pedido um copo d’água e disse que “iria resolver um assunto com o suspeito”. Pouco tempo depois, a testemunha ouviu um tumulto na rua e a vítima, e quando saiu na rua, viu Luzia caída.
De acordo com o perito Deusimar Rosa, da Politec, a vítima foi atingida por uma única lesão por faca, compatível com o instrumento encontrado ao lado dela. Segundo ele, o golpe foi desferido na região do pescoço, próximo ao coração. A perícia também identificou vestígios de uma lesão recente na região abdominal da vítima, decorrente de uma cirurgia.
O tenente Luís Fernando, da Polícia Militar, relatou que o suspeito estava alterado desde a manhã, transitando pela rua e procurando confusão. Segundo a polícia, o suspeito é bem conhecido na região, possui diversas passagens criminais por tráfico de drogas, receptação e também por homicídio cometido em 2010.
O velório de Luzia ocorreu em uma funerária na avenida dos Jacarandás e o sepultamento ocorreu na tarde deste sábado, no cemitério em Sinop.
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