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Senadora Serys contesta acusação e recebe apoio de senadores

A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) se disse “estarrecida” com o vazamento de informações sigilosas da CPI dos Sanguessugas e repudiou o envolvimento de seu nome com irregularidades na compra de ambulâncias com verbas de emendas parlamentares. Alegando desconhecer o teor da denúncia, Serys decidiu apresentar requerimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Procuradoria Geral da República e à CPI dos Sanguessugas para saber das ilegalidades das quais é acusada.

– Considero comum esse tipo de denúncia em ano eleitoral, mas não admito o meu nome em boca de bandido. Não me vergarei a denúncias caluniosas – reagiu.

Serys lembrou que é a segunda vez que essa acusação vem à tona – a primeira ocorreu em maio passado – envolvendo emendas de 2001 a ela atribuídas. Assim que a denúncia surgiu, conforme explicou, tratou não só de assinar a proposta de instalação da CPI dos Sanguessugas, mas também de autorizar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico seu e de seus quatro filhos. Em meio à indignação pelo episódio, reafirmou que jamais fez ou fará ato de malversação de recursos públicos.

Solidariedade

Quase 20 senadores, entre governistas e oposicionistas, expressaram sua solidariedade à petista. O rol de apartes favoráveis foi aberto por Heloísa Helena (PSOL-AL), que declarou “não acreditar que Serys esteja envolvida com esse banditismo”. Também acusado de participação na máfia das ambulâncias, Ney Suassuna (PMDB-PB) disse ter entrado na Justiça contra seus acusadores e pedido à comissão para investigar a fundo a denúncia contra ele. Arthur Virgílio (PSDB-AM) transmitiu recado do senador Magno Malta (PL-ES) – outro acusado no caso – afirmando já ter enviado sua defesa ao presidente do Senado, Renan Calheiros. Em seguida, Tião Viana (PT-AC) ressaltou que Serys tem demonstrado correção e não merece essa tentativa de destruição de sua imagem. Os senadores Edison Lobão (PFL-MA) e Ideli Salvatti (PT-SC) lamentaram a acusação contra a petista e fizeram questão de realçar que o ônus da prova cabe ao acusador, e não à acusada.

Falaram ainda em defesa de Serys os senadores Roberto Saturnino (PT-RJ), Wellington Salgado (PMDB-MG), Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), José Sarney (PMDB-AP), Eduardo Suplicy (PT-SP), Antônio João (PTB-MS), Lúcia Vânia (PSDB-GO), Garibaldi Alves (PMDB-RN), Ana Júlia (PT-PA), Fátima Cleide (PT-RO), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e o presidente do Senado, Renan Calheiros.

Heloísa: “Ser ladrão de ambulância é muita safadeza”

Heloísa Helena (PSOL-AL) disse ontem que os nomes de todos os envolvidos no esquema de desvio de verbas do Orçamento da União via compra superfaturada de ambulâncias, os chamados “sanguessugas”, devem ser revelados, se realmente existir vontade política para destruir o esquema.

– Quem está trabalhando nessa CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas] não pode poupar ninguém. Se a gente quer mesmo aprofundar as investigações e levá-las até o fim, é preciso saber quem atuava no Senado, na Câmara dos Deputados, no Ministério da Saúde, no Ministério da Educação, no Ministério da Ciência e Tecnologia e na Casa Civil. O cara ser ladrão de ambulância é muita safadeza – salientou.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) frisou, em aparte, que o pronunciamento de Heloísa Helena repunha as coisas nos seus devidos lugares porque lembrava que a corrupção não se deu apenas no Congresso Nacional, mas contou com a participação do governo. Ele ressaltou ainda que a confiança na isenção da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) não significa que não houve nada, observando que não é possível desqualificar o trabalho da CPI dos Sanguessugas por causa de vazamento de informações.

Romeu Tuma (PFL-SP) concordou com Virgílio, acrescentando que o importante nas investigações é a revelação quase completa do modo de operar dos criminosos. Ney Suassuna (PMDB-PB) destacou que o esquema de corrupção não seria criado sem a conivência do Executivo. Leonel Pavan (PSDB-SC) disse que há exagero nas informações divulgadas, “mas não dá para achar que não houve nada; a fraude existiu, os “sanguessugas” existem”.