A elefanta Baby, que chegou há menos de um mês ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Chapada dos Guimarães, já apresenta avanços importantes em seu processo de reabilitação. Resgatada de um parque de diversões ligado ao antigo circo do Beto Carrero, segundo os tratadores, o animal começou a reduzir significativamente um comportamento repetitivo conhecido como estereotipia, considerado um dos principais sinais dos impactos do longo período de cativeiro.
De acordo com a equipe técnica do santuário, quando Baby ainda vivia no parque, ela passava boa parte do tempo balançando repetidamente o corpo sempre que não estava interagindo com pessoas ou recebendo algum estímulo. O comportamento, denominado estereotipia, é descrito pelo pesquisador Michael Fox como uma ação repetitiva e sem função aparente. Já a pesquisadora Kathy Carlstead explica que esse tipo de comportamento costuma surgir quando animais mantidos em cativeiro não conseguem controlar o ambiente em que vivem nem exercer comportamentos naturais.
Segundo o santuário, desde a chegada de Baby ao novo lar, foi observada uma redução expressiva no tempo em que ela permanece realizando esse movimento. Agora, a elefanta tem liberdade para explorar grandes áreas naturais, caminhar, procurar alimento e fortalecer a musculatura, atividades essenciais para seu bem-estar físico e emocional.
Os especialistas ressaltam, no entanto, que a estereotipia foi desenvolvida ao longo de décadas como uma estratégia para enfrentar o estresse e as limitações impostas pelo cativeiro. Por isso, o comportamento não desaparece imediatamente e pode persistir por um longo período, mesmo após a mudança para um ambiente adequado. Ainda assim, a tendência é que ele continue diminuindo e, em alguns casos, desapareça completamente.
A equipe do Santuário de Elefantes Brasil também destacou a capacidade de adaptação de Baby durante este primeiro mês. Em pouco tempo, ela enfrentou uma série de mudanças, conheceu novos ambientes, sons e estímulos, demonstrando evolução constante em seu processo de recuperação. Para os profissionais que acompanham a elefanta, cada novo comportamento natural observado representa mais um passo na reconstrução da qualidade de vida do animal após anos vivendo em condições restritivas.




