O Santuário de Elefantes do Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães (30 km de Cuiabá), divulgou há pouco uma nota pública contestando a decisão da secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema) que suspendeu temporariamente a licença da instituição para receber novos elefantes. A medida foi adotada após a morte de duas elefantas, Kenya e Puppy, de origem africana, e ocorre em meio a denúncias e questionamentos sobre os cuidados oferecidos pelo santuário.
Na nota, o SEB afirma que a decisão da Sema foi tomada de forma “apressada”, influenciada por pressões políticas e por uma campanha que a instituição classifica como “anti-santuários”. Segundo o comunicado, grupos com interesses diretos em elefantes que atualmente estão sob ações judiciais estariam atuando para impedir a transferência desses animais ao santuário, utilizando as mortes recentes como argumento para descredibilizar o trabalho desenvolvido no santuário.
A unidade ressalta que a suspensão da licença não afeta os elefantes que já vivem no local, mas apenas a possibilidade de receber novos animais. De acordo com a instituição, representantes da Sema realizam inspeções anuais no SEB, procedimento que, segundo a nota, sempre contou com apoio e colaboração da equipe responsável pelos cuidados com os elefantes.
Ainda conforme o comunicado, a suspensão da licença teria sido divulgada à imprensa antes mesmo de o santuário receber esclarecimentos formais da Sema, o que, na avaliação da instituição, contribuiu para a disseminação de uma narrativa negativa. A unidade afirma que agora é exigida a apresentação de documentação detalhada sobre exames, tratamentos e manejo dos elefantes, em um nível de rigor que, segundo a nota, supera o aplicado a outras instituições de cuidado animal na América do Sul.
O santuário também rebate críticas relacionadas às mortes dos animais, argumentando que as elefantas transferidas de zoológicos brasileiros e estrangeiros já chegavam em estado de saúde comprometido, após décadas de cativeiro. Na comparação feita na nota, responsabilizar o santuário pelas mortes seria equivalente a culpar uma instituição de cuidados paliativos pela morte de idosos em fim de vida. O SEB afirma ainda que muitos desses elefantes não receberam, nos zoológicos de origem, cuidados médicos adequados, como exames de sangue, tratamento das patas e testes de tuberculose.
No texto, o santuário informa que seus advogados já foram acionados para adotar medidas legais contra pessoas e entidades que, segundo a instituição, estariam disseminando informações falsas de forma deliberada. Além disso, foi lançada uma petição solicitando que órgãos como a própria Sema e o Ibama investiguem, com o mesmo rigor aplicado ao SEB, casos de elefantes que morreram prematuramente ou que ainda vivem em condições consideradas inadequadas em outras instituições.
A nota também menciona a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) como um dos grupos envolvidos na denúncia. O Santuário de Mato Grosso afirma que havia se reunido recentemente com representantes da entidade para discutir transparência e possíveis visitas técnicas, destacando que seu foco é o bem-estar dos elefantes, e não a retirada indiscriminada de animais de zoológicos. Apesar disso, segundo o santuário, a entidade teria optado por apoiar uma ação que enfraquece o trabalho de santuários no Brasil e no exterior.
A nota cita também o caso de um influencer que se apresenta como biólogo e que teria zombado publicamente da tratadora morta por um elefante no The Elephant Sanctuary, no Tennessee, episódio ocorrido durante o período em que um dos atuais responsáveis pelo Santuário atuava na instituição norte-americana. Para o santuário, “esse tipo de postura evidencia como discursos sensacionalistas acabam ganhando espaço, enquanto falhas graves no conhecimento técnico e no cuidado com elefantes no Brasil permanecem sem questionamento”.
Atualmente, o santuário abriga cinco elefantas asiáticas: Bambi, Mara, Raia, Maia e Guilhermina. Todas foram resgatadas após passarem décadas em circos e zoológicos. Fundado em 2016, o Santuário de Elefantes Brasil é uma organização sem fins lucrativos dedicada ao resgate de elefantes cativos e em situação de risco. É o único santuário da espécie na América Latina e está instalado em uma área de aproximadamente 1,2 mil hectares.
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