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Reitora da UFMT diz que alunos envolvidos em ‘lista de estupráveis’ estão afastados e aulas foram suspensas após ameaças de pai

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Redação Só Notícias (foto: Só Notícias/Ana Dhein)

A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), professora Marluce Souza e Silva, esclareceu hoje as medidas adotadas pela instituição diante dos casos envolvendo estudantes dos cursos de Direito e Engenharia Civil do Campus Cuiabá. Em entrevista ao programa Tribuna, da Rádio Vila Real FM 98,3, a reitora falou sobre a apuração da chamada “lista de alunas estupráveis”, ações preventivas de segurança e medidas de proteção à comunidade acadêmica.

Segundo a reitora, a universidade tomou conhecimento das mensagens há alguns dias, quando começaram a ser divulgadas. Um dos alunos envolvidos procurou o diretor da Faculdade de Direito e relatou que seu celular havia sido subtraído por terceiros e que as mensagens e imagens estavam sendo divulgadas sem sua autorização. “O diretor recebeu, conversou, registrou, pediu para ele relatar por escrito”, afirmou Marluce. Diante da situação, segundo ela, o diretor afastou preventivamente o estudante, que permanece afastado.

A reitora confirmou que os dois alunos envolvidos na criação e circulação da lista são maiores de idade, um da Faculdade de Direito e outro do curso de Engenharia Civil, e que ambos já foram afastados da sala de aula e de todas as atividades acadêmicas. Questionada sobre a possibilidade de os alunos voltarem a frequentar as aulas e conviver com as estudantes que foram alvo da lista, a reitora respondeu que a decisão dependerá da investigação.

“Temos que comprovar a culpa de todos eles. O único elemento que temos até o presente momento é que houve um diálogo entre os dois no telefone particular de um deles e que essa mensagem foi apropriada por alguém e está circulando. Os alunos precisam ser ouvidos, o telefone precisa ser encontrado. É preciso observar a legislação, obedecê-la e trabalhar para que isso não se repita”, disse.

Segundo Marluce, os procedimentos institucionais adotados seguem uma resolução aprovada pelos órgãos superiores da UFMT. “A primeira medida é ouvir os alunos. A partir da constatação de que eles oferecem risco, eles são afastados e imediatamente a gente constitui uma comissão de investigação. A comissão já foi constituída e eles estão investigando”, afirmou. Marluce reforçou que os alunos responderão não apenas administrativa e institucionalmente, mas também na Justiça comum, uma vez que o Ministério Público, a Delegacia da Mulher e a OAB também estão acompanhando o caso.

Sobre a suspensão das aulas presenciais no curso de Engenharia Civil, Marluce explicou que a medida foi tomada após a presença de um homem que se apresentou como pai de um dos alunos envolvidos. “Como nós não sabíamos de quem se tratava, quem era aquele senhor e qual a ameaça que ele poderia realmente oferecer, os estudantes do curso se sentiram inseguros e, junto com o diretor da Faculdade de Engenharia Civil, suspendemos o curso até que o policiamento fosse realizado”, esclareceu.

Ao ser questionada sobre onde estaria o erro para que jovens maiores de idade criassem uma lista como essa, a reitora respondeu que “casos semelhantes a esses estão acontecendo no Brasil em todos os lugares. Acontece na igreja, acontece nas escolas fundamentais, acontece nas próprias famílias. Todos os dias nós estamos registrando feminicídio, abuso, assédio. A nossa sociedade está adoecida. É uma responsabilidade muito ampla de todos. Da família, da igreja, dos grupos que os nossos estudantes frequentam”.

O caso ganhou repercussão no início do mês e o Ministério Público de Mato Grosso instaurou procedimento administrativo para investigar a circulação das mensagens. A promotora Claire Vogel Dutra determinou a expedição de ofícios à reitoria da UFMT, ao Centro Acadêmico de Direito (CADI) e ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) solicitando informações sobre as providências internas adotadas. O Centro Acadêmico VIII de Abril divulgou nota de repúdio, classificando o episódio como “um claro ato de descaso e normalização da violência”. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso também repudiou a conduta, afirmando que o episódio é incompatível com a formação de profissionais do Direito.

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