Geral

Protesto dos produtores rurais neste momento pára Sinop

O setor do agronegócios está fazendo neste momento em Sinop uma das maiores manifestações cobrando soluções para os graves problemas da agricultura. Mais de 600 colheitadeiras, tratores, caminhões e automóveis participaram da carreata que está, neste momento, na principal avenida da cidade – Julio Campos. Os agricultores buscam mostrar a sociedade que a agricultura e a pecuária atravessam uma fase difícil, muitos agricultores não conseguiram obter renda na última safra para saldar dívidas, falta crédito por parte do Governo Federal, os custos de produção aumentaram e o preço da soja, milho e arroz estão bem baixo.

Veja as imagens do tratorasso e carreata hoje em Sinop clicando aqui

A carreata saiu do setor industrial, da rua João Pedro Moreira de Carvalho e percorrerá várias avenidas no centro e Setor Industrial. Comércio, indústria, empresas do segmento do agronegócio, associações, entidades de classe estão apoiando a movimentação.

A maioria das lojas no centro está fechando as portas, por alguns momentos, enquanto a carreata passa, manifestando apoio a esta luta dos produtores. A prefeitura está fechada.

Uma indústria beneficiadora de arroz em Sinop doou algumas toneladas de arroz que serão distribuídas no final da manifestação.
A sexta-feira em todo o Estado será marcada por protesto dos agricultores e a CNA fará uma grande manifestação na próxima semana.

Leia em Agronotícias as manifestações que estão ocorrendo em outras cidades do Nortão. Clique aqui

Reivindicações e cobranças
Mato Grosso é um Estado cuja base econômica é a agricultura e a pecuária, que respondem por 26,4% do PIB, 99,05% das exportações e 35% dos empregos gerados. O crescimento da economia mato-grossense está associado ao crescimento da agricultura, que deu origem a diversos municípios no Estado. Em um período de 5 anos, a nossa área plantada cresceu cerca de 3,1 milhões de hectares, foram investidos cerca de R$ 6 bilhões em máquinas, implementos agrícolas, caminhões e, foram gerados cerca de 186.000 empregos, além do custeio da safra que anualmente movimenta cerca R$ 11 bilhões e atingimos uma safra de grãos de 22,5 milhões de toneladas. É isso que impulsiona o agronegócio! É isso que tem feito o Brasil crescer!

Contudo, contrariando a opinião pública, o produtor rural, responsável por investir e aumentar a produção tem que arcar com o risco e a incerteza da atividade agrícola e atuar em um mercado que vive de expectativas sofre os reflexos do mercado internacional e da política econômica e não forma preços da sua produção (se o consumidor for a um supermercado se depara com um aumento no preço do arroz, por exemplo, não significa que o produtor está recebendo a mais e cobrindo os seus custos de produção, pois o preço é formado no mercado).

Nesta safra, investimos cerca de R$ 12 bilhões, compramos insumos com dólar cotado a R$ 3,10, um custo de produção cerca de 35% maior que a safra anterior e esperávamos colher uma safra de grãos de 24,5 milhões de toneladas, na expectativa de um resultado que nos permitisse continuar investindo na atividade.

Sugiram novas doenças (ferrugem asiática), houve seca em alguns municípios, excesso de chuva em outros e não iremos colher o que esperávamos. Agravando a situação, o governo vem adotando uma política econômica restritiva, aumentando a taxa de juros, inibindo o consumo interno e valorizando o câmbio, o que tem reduzido a receita recebida pelos agricultores. Estamos recebendo menos pelo que gastamos mais para produzir!

A crise que está se instalando na agricultura brasileira decorre de fatores que independem dos produtores rurais, que têm sido eficientes, superando recordes de produção e produtividade anualmente. A crise decorre da falta de uma política agrícola de médio e longo prazo para o setor, da falta do seguro rural, da falta de armazenagem, da falta de logística de transporte para escoar a produção, do câmbio valorizado que tira a competitividade da nossa produção.