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Polícia indica quatro na operação Agro-Fantasma em Mato Grosso que deram prejuízo de R$ 70 milhões

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Só Notícias (foto: Só Notícias/Lucas Torres/arquivo)

A Polícia Civil informou, esta tarde, que concluiu o inquérito da Operação Agro-Fantasma, que investigou esquema de fraudes envolvendo a compra e comercialização de grãos na região Oeste do Estado. Quatro foram indiciados pelos crimes de estelionato, associação criminosa e fraude processual. Dois deles também responderão pelos crimes de estelionato em continuidade delitiva, associação criminosa e fraude processual, e outros dois por estelionato em continuidade delitiva e associação criminosa.

A investigação foi conduzida pela Delegacia de Comodoro (300 km a Oeste de Cuiabá) e teve como principal vítima um produtor rural que relatou prejuízos superiores a R$ 70 milhões em operações envolvendo a aquisição de grãos, venda de uma aeronave e empréstimos bancários. Os investigados utilizavam as empresas do ramo do agronegócio para transmitir uma aparência de solidez financeira e conquistar a confiança de produtores rurais.

Após estabelecerem credibilidade por meio do pagamento regular de algumas das primeiras operações, os investigados teriam convencido a vítima a realizar, em seu próprio nome, sucessivas compras de grãos de outros produtores, com pagamento a prazo. Os produtos eram revendidos pelas empresas do grupo, geralmente à vista, gerando liquidez imediata. Com o aumento do volume das negociações, contudo, os pagamentos deixaram de ser realizados. Dessa forma, os produtores e instituições financeiras permaneciam com os créditos a receber, enquanto o passivo das operações permanecia em nome da vítima.

A análise dos documentos fiscais e de transporte apreendidos durante a investigação identificou indícios de incompatibilidades logísticas, repetição atípica de pesos, emissão de documentos em intervalos incompatíveis com o transporte efetivo das cargas e sucessivas revendas com margens negativas.

A investigação indicou que os quatro suspeitos atuavam de forma coordenada e com funções definidas na prática das fraudes na negociação com fornecedores, a compra e revenda dos grãos, a emissão de documentos fiscais e a movimentação dos valores obtidos com as vendas. Para a Polícia Civil, os fatos ultrapassavam uma simples falta de pagamento ou dificuldade financeira. A investigação apontou indícios de que as operações eram planejadas para obter vantagem econômica por meio de fraude

A assessoria informa ainda que as questões relacionadas às empresas e a possíveis crimes contra a receita estadual e federal serão objeto de auditoria pela secretaria estadual de Fazenda, com posterior encaminhamento às autoridades competentes, conforme o caso.

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