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PM ainda não sabe quando vai retirar invasores de fazenda no Nortão

A Justiça da Comarca de Claudia expediu liminar para que os sem-terra saiam da Fazenda Continental III, a 60 km de Sinop. A invasão completou um mês ontem. O Governo Federal decretou que esta área, de mil alqueires, para fins de reforma agrária. Mas a indústria madeireira instalada em Sinop, que é proprietária da área, está finalizando documentação para recorrer da decisão. Inicialmente, cerca de 60 famílias ligadas ao MST -Movimento dos Sem Terra- entraram na área. Hoje há no local cerca de 100 famílias. Só Notícias apurou que a Justiça concedeu prazo de 48 horas para os invasores saírem da área, que terminou no último dia dia 12. O Judiciário já encaminhou oficio para a polícia fazer a reintegração de posse.

O empresário José Eduardo, sócio próprietário da empresa que é dona da fazenda, disse ao Só Notícias, que a invasão lhe trouxe muitos prejuízos. “Não conseguimos mais tirar madeira da nossa área. Concedemos para 100 funcionários – 50 em Claudia e 50 na filial em Sinop- férias coletivas. A laminadora em Claudia acabou ficando parada por quase um mês porque acabaram as toras que estavam no estoque. Mesmo com a liminar para que eles saíssem não conseguimos retirar toras da área em que tem projeto de manejo florestal aprovado pelo Ibama”, disse o empresário, acrescentando que ela não é improdutiva e tem matéria prima para suas indústrias madeireiras.
“Os prejuízos são grandes. Só no setor de produção são cerca de R$ 200 mil”, calculou o empresário.

Uma fonte da Polícia Militar em Sinop informou que foi feito “estudo da área” onde estão os invasores. As informações foram encaminhadas para o comitê agrário na Secretaria Estadual de Segurança Pública para avaliar o deslocamento de policiais até a fazenda e cumprir a determinação judicial. “Não há uma data certa de quando será feita a reintegração de posse. Estamos aguardando ordens superiores”, disse a fonte.

Um integrante do MST esteve na central de jornalismo de Só Notícias dias após a invasão. Ele explicou que as famílias decidiram “ocupar” a área porque houve decreto do presidente Lula para desapropriá-la para reforma agrária e que a ação foi uma medida preventiva para evitar que a madeireira continuasse retirando toras da fazenda.