O professor e pesquisador da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Emanuel Cardozo Diniz, publicou um estudo na revista Scientific Reports, do grupo Nature, sobre o controle de interferências quânticas em sistemas nanoeletromecânicos. O estudo foi desenvolvido em colaboração com os pesquisadores Olímpio Pereira de Sá Neto, da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), e Amjad Sohail, da Universidade Governamental de Faisalabad, no Paquistão.
De acordo com o pesquisador Emanuel Cardozo Diniz, os resultados obtidos neste trabalho podem motivar o desenvolvimento de novas tecnologias, especialmente voltadas ao processamento de informação. “Essa abordagem tem o potencial de tornar os dispositivos mais sensíveis, eficientes e versáteis, permitindo o controle preciso de sinais em estruturas extremamente pequenas”, explica o pesquisador. “No futuro, essas tecnologias podem dar origem a novos componentes capazes de armazenar, transmitir e processar informação quântica, além de integrar diferentes plataformas em dispositivos compactos, abrindo caminho para aplicações inovadoras na ciência e na tecnologia”, conta Emanuel.
Sistemas nanoeletromecânicos são dispositivos que combinam componentes elétricos e movimentos mecânicos em escala nanométrica (um bilhão de vezes menor que um metro). Na prática, funcionam como minúsculas máquinas que processam sinais em sistemas eletrônicos avançados.
Normalmente, certas substâncias barram a passagem de luz ou energia em frequências específicas. O estudo descreve a Transparência Nanoeletromecanicamente Induzida (NIT), um fenômeno onde o sistema, ao ser estimulado da maneira correta, deixa de bloquear o sinal e cria uma “janela” de transparência. Isso ocorre pela interação entre um ressonador (que vibra) e um íon (uma partícula carregada). Essa interação permite que a informação passe sem ser absorvida pelo sistema.
O estudo também analisa a interferência Fano, que ocorre quando o encontro dessas ondas de energia não é perfeito. Em vez de uma janela de transparência total, o sistema apresenta um rastro de absorção “torto” ou assimétrico, o que ajuda os cientistas a entenderem como a energia está se comportando ali dentro.
O maior obstáculo para essa tecnologia é a chamada “descoerência de fase”. Como essas máquinas são extremamente sensíveis, qualquer interferência externa (como calor ou ruído) pode desorganizar o sistema e fechar a janela de transparência, impedindo o armazenamento da informação quântica. A pesquisa é um passo fundamental para criar computadores quânticos. Esses computadores usarão “qubits” (elementos de informação quântica) para processar dados em velocidades impossíveis para os computadores atuais.
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