Um artigo científico recém-publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation (PECON) reuniu pesquisadores que atuam na Amazônia para discutir três desafios estruturais que limitam a efetividade da ciência produzida na região. O artigo, disponível em acesso online, destaca a fragmentação entre iniciativas e redes de pesquisa, as assimetrias de poder e liderança na produção do conhecimento e a instabilidade do financiamento de longo prazo como entraves para o fortalecimento da ciência amazônica.
O texto é fruto de uma articulação em rede que engloba instituições e pesquisadores que trabalham em diferentes áreas da Amazônia. Entre os autores estão o professor da UFMT, Campus Sinop, Domingos Rodrigues, e os pesquisadores Rafael Rabelo, Leandro Juen, Deliane Penha, Marina Hirota e Clarissa Rosa. A proposta central é contribuir para o debate sobre os caminhos necessários para consolidar uma agenda de pesquisa mais articulada e estável.
No artigo, os autores argumentam que a multiplicação de projetos, programas e redes, muitas vezes, ocorre de forma desarticulada, o que dificulta a consolidação de esforços de longo prazo e a integração de dados e resultados. Além disso, apontam que ainda existem assimetrias de poder na definição de prioridades de pesquisa, na liderança de projetos e na autoria de publicações, frequentemente concentradas fora da Amazônia.
Outro ponto enfatizado é a dependência de editais e fontes de financiamento de curto prazo, o que gera descontinuidade em iniciativas estratégicas de monitoramento, conservação e desenvolvimento sustentável. Essa instabilidade, segundo os autores, impacta tanto a formação de recursos humanos quanto a manutenção de infraestruturas de pesquisa essenciais para a região.
Como alternativa, o artigo defende a construção de uma governança científica mais integrada, policêntrica e territorialmente enraizada. A ideia é fortalecer a liderança amazônica, promovendo a coprodução de conhecimento entre universidades, institutos de pesquisa, organizações da sociedade civil, comunidades locais e órgãos governamentais.
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