Uma pesquisa conduzida pela acadêmica de Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop, Karla Rosa Gusmão, resultou na criação de uma coleção didática de plantas forrageiras nativas de Mato Grosso. O trabalho é desenvolvido no Herbário Centro-Norte Mato-Grossense, sob orientação do professor Milton Omar Córdova, e foi inscrito no Prêmio Oscarlina Weber de Divulgação Científica e Popularização da Ciência, da Pró-reitoria de Pesquisa.
A iniciativa busca reunir e apresentar, de forma visual e acessível, espécies de plantas com potencial forrageiro — ou seja, que podem ser utilizadas na alimentação animal — e facilitar o ensino e a identificação da flora regional. Para desenvolver a pesquisa, foram consultados exemplares do acervo do Herbário, além de materiais coletados na região de Sinop. Ao todo, foram levantadas aproximadamente 50 espécies, principalmente das famílias Poaceae e Fabaceae, grupos que reúnem diversas plantas importantes para a alimentação animal.
A seleção das espécies começou com uma revisão de bibliografias especializadas. Em seguida, as informações foram relacionadas aos registros disponíveis no CNMT e em outros herbários. Também foram analisados aspectos como a identificação dos exemplares, o estado de conservação e os dados disponíveis sobre cada planta.
A partir dos exemplares analisados, foram produzidas exsicatas — amostras de plantas prensadas, secas e organizadas para fins científicos — registros fotográficos e pranchas didáticas no estilo Lankester. Esse formato reúne diferentes formas de representação das espécies, contribuindo para que as características das plantas sejam observadas e reconhecidas com mais facilidade.
Segundo a estudante, que é bolsista de iniciação científica, a proposta é transformar informações científicas em um recurso que possa ser utilizado no ensino e também contribua para valorizar a biodiversidade do estado. “Percebemos que Mato Grosso possui uma diversidade muito grande de plantas forrageiras, inclusive espécies nativas, mas muitas delas ainda são pouco conhecidas pelas pessoas”, disse por meio da assessoria da universidade.
A coleção poderá apoiar aulas e atividades práticas, especialmente na formação de estudantes. Para os professores, o material representa uma possibilidade de ampliar o uso de exemplares e informações do herbário em atividades didáticas. Já para pesquisadores, os dados de distribuição, os registros fotográficos e os exemplares herborizados podem servir de base para novos estudos.
Entre os materiais previstos estão fichas técnicas, cartilhas e conteúdos digitais. A proposta é ampliar o acesso às informações para além do espaço do herbário e aproximar a produção científica da comunidade. Além da importância para a alimentação animal, o conhecimento sobre as plantas forrageiras nativas pode contribuir para o manejo de pastagens, a adoção de práticas mais sustentáveis e a conservação da biodiversidade. A documentação das espécies também ajuda a preservar informações que podem ser utilizadas por estudantes, produtores e pesquisadores.
Para ela, identificar as espécies, compreender suas características e reconhecer sua importância científica, ecológica e produtiva permite observar a biodiversidade regional de outra maneira. “Conhecer também é uma forma de preservar”. A pesquisa evidencia ainda o papel das coleções científicas na produção e na disseminação do conhecimento. Ao transformar exemplares da flora mato-grossense em pranchas, imagens e informações organizadas, o projeto aproxima a pesquisa da prática e torna o conhecimento botânico mais acessível. “É uma forma de aproximar a universidade da comunidade e mostrar que o conhecimento científico pode ser acessível e útil para todos”.
Receba em seu WhatsApp informações publicadas em Só Notícias. Clique aqui


