Pesquisadores da Unemat em Nova Xavantina (565 km de Cuiabá) desenvolveram uma ferramenta de diagnóstico rápido para identificar os nematoides fitoparasitários na soja, que são especializados em atacar raízes, caules e folhas, sendo uma das principais causas de perdas agrícolas no mundo.
O projeto está criando um sistema que lê o DNA da terra e consegue identificar, de forma rápida e precisa, várias espécies de vermes inimigos da soja em um único exame de laboratório. O teste utiliza duas técnicas: metagenômica e qPCR. A metagenômica é como tirar uma ‘foto panorâmica’ do DNA de todos os organismos que vivem em uma amostra de solo. Em vez de procurar um nematoide por vez, os cientistas analisam a comunidade inteira para entender quem está lá. Já o qPCR (sigla em inglês para teste quantitativo de reação em cadeia da polimerase em tempo real) é uma técnica de alta precisão que ‘fotocopia’ o DNA de um organismo até que ele se torne visível para o computador. O ‘tempo real’ significa que o cientista consegue ver a praga aparecendo na tela enquanto o teste acontece, permitindo saber não só quem é o nematoide, mas quantos deles existem na amostra.
O teste é multiplex, ou seja, possui a capacidade de rodar vários testes ao mesmo tempo em um único tubo de ensaio: ao invés de fazer um exame para o nematoide A, outro para o B e outro para o C, o multiplex detecta todos de uma vez só. A inovação substitui métodos morfológicos tradicionais, que são lentos e suscetíveis a erros humanos, por um sistema de alta precisão genética.
A pesquisa foca em espécies agressivas como Heterodera glycines (conhecido como nematóide de cisto da soja), Meloidogyne javanica (nematóide das galhas) e Pratylenchus brachyurus (nematóide das lesões), que ameaçam a sustentabilidade da cultura da soja em Mato Grosso.
Ao decifrar a ‘identidade genética’ específica dos vermes que vivem nas fazendas de Mato Grosso, a universidade constrói um banco de dados molecular inédito. O mapeamento permite a detecção precoce das pragas, facilitando o manejo integrado e reduzindo as perdas econômicas, estimadas em bilhões de reais por safra. O avanço é resultado das pesquisas desenvolvidas por pesquisadores do AraguaiaBiotech, laboratório de Inovação Biotecnológica especializado em genômica e biotecnologia em Nova Xavantina.
A pesquisa é fruto do trabalho elaborado pelo pesquisador Wigis Pereira Peres, biólogo formado pela Unemat, mestre em Imunologia e Parasitologia Básicas e Aplicadas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e cursando doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia pela Rede Pró-Centro-Oeste, da qual a Unemat faz parte. Wigis é orientado por Joaquim Manoel da Silva, professor da Unemat, doutor em Genética e Biologia Molecular e coordenador do AraguaiaBiotech, que atua tanto na Rede Pró-Centro-Oeste quanto no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação (PPGEC), programa institucional da Unemat.
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