Uma pesquisa realizada no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Cuiabá, buscou entender o que leva o consumidor brasileiro a comprar carne bovina com o selo Carne Carbono Neutro (CCN), certificação criada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que atesta que o metano emitido pelo rebanho é compensado pelo carbono que as árvores capturam em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta. O resultado do trabalho foi publicado na revista Frontiers in Sustainable Food Systems. A publicação é um periódico internacional com revisão por pares, fator de impacto de 4,1 e CiteScore de 6.
O artigo se chama “Determinants of purchase intention for carbon neutral meat beef: an evaluation among Brazilian consumers”. A primeira autora é a bolsista, Michelyn Kawane Rosa Araújo, orientada pelo professor Diego Pierotti Procópio, do Núcleo de Estudos em Agronegócio..
A equipe aplicou um questionário online a 703 consumidores de 27 unidades da federação e analisou os dados por meio da Modelagem de Equações Estruturais. O modelo explicou 62,5% da variação na intenção de compra, um poder explicativo considerado elevado. O fator de maior peso foi a atitude do consumidor, isto é, a percepção de que comprar a carne certificada é uma escolha positiva e satisfatória. Em seguida veio a consciência ambiental. Também pesaram a sensação de autonomia no momento da compra, a opinião de pessoas próximas, a rastreabilidade da origem do produto e a percepção dos benefícios dos sistemas integrados de produção. A preocupação com o bem-estar animal e o nível geral de informação sobre a qualidade da carne não tiveram efeito significativo.
Para os autores, os resultados ajudam a orientar estratégias de marketing, o trabalho das instituições certificadoras e políticas públicas para ampliar o mercado de carne de baixo carbono. Isso vale especialmente para consumidores mais atentos às questões ambientais.
Participaram da pesquisa as estudantes Kamilla Silva Melo, Alexia Santos Barreto e Débora Andrade Silva, e o estudante Luis Antônio França Barbacena, dos cursos de Zootecnia e Medicina Veterinária da UFMT. Também participaram os pesquisadores Jéssica Romagnoli Freire Campos e Matheus Wemerson Gomes Pereira, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A FAPEMAT financiou a bolsa de Iniciação Científica, e o trabalho também contou com apoio da UFMS e da CAPES.
“Ver uma pesquisa de Iniciação Científica ser publicada em um periódico internacional de alto impacto, com uma estudante de graduação como primeira autora, mostra que nossos estudantes são capazes de produzir ciência de qualidade. Mostra também a força da colaboração entre instituições do Centro-Oeste”, destaca o professor Diego Procópio.


