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Peixoto de Azevedo tem o maior índice de poluição do ar por metais no Brasil

O município de Peixoto de Azevedo, no Norte de Mato Grosso, é apontado como a cidade brasileira com o mais grave índice de poluição do ar por metais pesados em todo o Brasil. Fundamentalmente por ser uma cidade que funciona agora como entreposto do comércio de ouro. A informação consta da pesquisa realizada pelo professor Élvio Schelle, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em tese de doutoramento denominada “Análise Multielemental de Cascas de Árvores com Referência Especial à Mensuração e Mapeamento de Poluição do Ar”. A pesquisa, apresentada em abril do ano passado, está despertando interesse latente da comunidade internacional.
     
A pesquisa de Schelle apontou índices alarmantes de poluição do ar por metais pesados em Peixoto de Azevedo, especialmente, nas proximidades das lojas que compram e vendem ouro. “Em uma mangueira próxima a uma dessas lojas foram detectados 10.9 microgramas por grama de mercúrio, quando o tolerável é 0.05 micrograma por metro cúbico” – conta o pesquisador. Ele explicou que nas regiões urbanas de São Paulo o valor máximo de mecúrio encontrado foi 1.7 de micrograma por grama e, em Poconé, que já foi intensa região garimpeira, esse valor foi 6.1.
     
Durante a pesquisa, foram coletadas cerca de 1.300 amostras, em diferentes países como Japão, Malásia, Tailândia, Senegal, Escócia, Irlanda, Inglaterra, Itália, França, Holanda, Alemanha, Áustria, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Costa Leste e Oeste dos Estados Unidos. No Brasil, Schelle preocupou-se especificamente com a poluição por mercúrio oriunda da atividade de extração de ouro, coletando amostras no Rio de Janeiro, em São Paulo, na divisa de Minas Gerais e Goiás, na divisa de Mato Grosso e Goiás, em Cuiabá, em Poconé e ao longo da BR 163 até Itaituba, no Pará. Levantou 51 elementos, mas, na elaboração da tese, utilizou apenas 19. “Para certificação da metodologia, coletei amostras em áreas remotas não industrializadas, que são consideradas não poluídas, como Amazônia, Pantanal, Oeste da Irlanda e algumas regiões da Escócia” – esclarece.
     
A tese de doutoramento do técnico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), está despertando o interesse não só de pesquisadores da Grã-Bretanha, como de outros países. Em correspondência ao reitor Paulo Speller, o Diretor do Centro de Ciências Analíticas da Universidade de Sheffield-UK, Prof. C.W. McLeod, informou que o trabalho de Schelle “foi considerado de alto nível pela banca examinadora, trazendo contribuições significativas para o campo das ciências ambientais”.
     
McLeod disse, ainda, que a pesquisa teve o apoio da British Geological Survey e que repercutiu de forma tão favorável nessa instituição que ela própria já está desenvolvendo projetos na área. Élvio Schelle é geólogo formado pela UFMT em 1982 e trabalha no Departamento de Recursos Minerais, do Instituto de Ciências Exatas e da Terra. Em razão da avaliação positiva das conclusões a que chegou, recebeu a recomendação de fazer pós-doutoramento no Instituto de Meio Ambiente do Japão junto ao Dr. K. Satake, que está estudando os efeitos da chuva ácida utilizando árvores.