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OBSIS diz que houve “terremoto forte” ontem no Nortão

O Observatório de Sismologia -OBSIS- da Universidade de Brasília- UNB- é um dos mais conceituados da América Latina em análises e demais procedimentos a respeito de tremores de terra. Este ano, instalou em Porto dos Gaúchos (150 km de Sinop), quase na divisa com o município de Tabaporã, um posto de observação com equipamentos que registram os abalos.

O tremor de 4,3 graus na Escala Richter ( que vai de 1 a 9), que ocorreu ontem, às 12:41hs, com epicentro em Porto dos Gaúchos, é considerado, pelo OBSIS, como um “terremoto forte”. Embora a magnitude registrada em 23 de março passada e a de ontem foram bem próximas, felizmente não houve vítimas nem danos materiais. As áreas rurais nas três cidades do Nortão foram os locais onde os tremores foram mais percebidos. Nas cidades, nem todos acabaram percebendo. Este será um dos pontos de estudo dos especialistas da UNB que devem estar na região, novamente, nos próximos dias.

Os especialistas do OBSIS explicam como ocorrem os sismos induzidos: Além das forças naturais, certas ações do homem podem produzir terremotos artificiais como as explosões nucleares. A formação de lagos artificiais, com o propósito de gerar energia, também pode gerar tremores de terra e este fenômeno é denominado sismicidade induzida por reservatórios (SIR).
Embora seja um fenômeno raro – são milhares de reservatórios para poucos casos de SIR – ele é considerado um perigo potencial já que existem barragens espalhadas por todo o mundo. Tempos atrás, acreditava-se que os lagos artificiais só podiam gerar sismos de pequena magnitude, associados exclusivamente ao peso da água neles contidas. Constatou-se depois que não se pode descartar a hipótese de uma relação entre terremotos destrutivos e enchimento de reservatórios. Por isso, o estudo da SIR tornou-se um campo de particular importância para as pesquisas sismológicas. Mas outras atividades de engenharia humana, como a mineração, injeção ou explosão de fluídos etc, podem gerar sismos.

Quanto aos terremotos, a explicação é que a camada mais superficial da terra – a litosfera – divide-se em partes menores chamadas placas tectônicas, que se movimentam lentamente, ocasionando um contínuo processo de esforço e deformação nas grandes massas de rocha. Quando o esforço é grande e supera o limite de resistência da rocha, esta se rompe – originando uma falha geológica – e acontece o terremoto. Parte da energia acumulada é então liberada sob a forma de ondas elásticas, que podem se propagar em todas as direções, fazendo o terreno vibrar intensamente. Esse processo é o causador da maioria dos terremotos. Normalmente, a ruptura das rochas só acontece em profundidade. Nos sismos menores é comum o terreno se deslocar somente alguns centímetros ao longo da falha geológica. Portanto, a ruptura da rocha é o mecanismo pelo qual o terremoto é produzido.

O OBSIS explica também que quase a totalidade dos terremotos tem origem tectônica, isto é, estão associados a falhamentos geológicos. Entretanto, terremotos podem ser também ocasionados por atividades vulcânicas ou pela própria ação do homem que, neste caso, recebe a denominação de sismos induzidos. Como exemplos significativos temos os sismos produzidos por explosões nucleares ou gerados pela criação de grandes reservatórios hidrelétricos.